No Dia dos Animais, veterinária explica como mudanças no nível de atividade física, idade, castração e ambiente podem exigir uma reavaliação da alimentação de cães e gatos

A rotina dos pets pode mudar por diferentes motivos. As transformações podem acontecer no ambiente, como uma mudança de casa, a chegada de outro animal ou alterações nos hábitos da família. Em outros casos, fazem parte da própria vida do pet e da mudança de fase de vida ou do status reprodutivo, como a castração. No Dia dos Animais, celebrado neste domingo (04), essas mudanças também chamam a atenção para a importância de acompanhar as necessidades do pet ao longo da vida, já que podem alterar o nível de atividade e as necessidades nutricionais do animal e, por isso, devem ser consideradas na dieta.

“A estratégia nutricional precisa ser reavaliada a cada visita ao veterinário, seja para check-up ou acompanhamento de condições mais crônicas. Ao longo da vida, mudanças na idade, no nível de atividade, no ambiente ou no dia a dia das famílias podem alterar as necessidades nutricionais do animal e exigir ajustes no alimento escolhido, no tipo de snack, no manejo alimentar ou apenas na quantidade oferecida”, explica Mayara Andrade, médica-veterinária de Guabi Natural, da MBRF Pet.

Quando a vida muda, o “potinho” também precisa ser reavaliado

Segundo a veterinária, alguns momentos da vida exigem atenção especial à alimentação:

Menos exercício, mesma quantidade de comida: O nível de atividade do cão pode diminuir por diferentes motivos, como mudanças na rotina da família, redução dos passeios, períodos de recuperação ou limitações relacionadas à idade. Quando isso acontece e o animal mantém a ingestão de alimento, pode haver excesso de calorias, favorecendo o balanço energético positivo e, consequentemente, o ganho de peso. “É importante observar se o alimento e a quantidade oferecida ainda são adequados para a necessidade e o nível de atividade atual desse pet”, explica Mayara.

Cães e gatos que vivem dentro de casa: Menor atividade física pode aumentar a facilidade para o ganho de peso. Nesses casos, é importante considerar a densidade energética do alimento, a quantidade oferecida e a ingestão adequada de água. Para os gatos, esse último ponto é especialmente importante para a saúde do trato urinário. “A composição também pode ser escolhida de acordo com necessidades específicas, como o suporte à saúde do trato urinário, controle de peso ou peles sensíveis”, completa. Além disso, para os gatos, Mayara explica que o enriquecimento ambiental é de extrema importância para ajudar a reduzir o estresse e estimular os exercícios físicos.

Castração: O procedimento, que é de extrema importância para o controle populacional e promoção da saúde, resulta em diminuição da necessidade energética de manutenção. Essa redução deve ser considerada, e a alimentação pode precisar de ajustes, incluindo a adoção de um alimento mais específico para essa condição. Além disso, pode haver aumento do apetite. “Nem todo pet castrado precisa trocar de alimento, mas a quantidade ou a estratégia alimentar pode precisar de ajustes”, explica. Nesse caso, o ideal é mudar o perfil do alimento de manutenção para um perfil com calorias controladas ou reduzidas, como o encontrado em alimentos chamados “castrados” ou “light”.

Pets idosos: O envelhecimento, processo natural da vida, traz mudanças na composição corporal com aumento de peso e redução da massa muscular, digestibilidade, mobilidade e, em alguns casos, no apetite. Em gatos, por exemplo, a redução do interesse pela comida pode exigir atenção especial nessa fase. “Aspectos como manutenção da massa muscular, saúde articular, digestibilidade e ingestão adequada de nutrientes podem ganhar importância à medida que o pet envelhece”, pontua Mayara.

Mudanças no ambiente: Mudança de casa ou alterações no espaço em que o pet vive também podem exigir atenção. Para animais idosos, por exemplo, adaptações no ambiente, como facilitar o acesso à água e alimento, além da adaptação dos locais de descanso, podem ajudar a acompanhar as limitações que surgem com a idade. “Além de observar o comportamento e os hábitos alimentares, é importante considerar se o ambiente continua adequado às necessidades do pet em cada fase da vida”, afirma Mayara.

Chegada de outro animal: Um novo pet pode mudar a dinâmica das refeições e até gerar disputa por comida, principalmente no caso de cães. Por isso, a profissional explica que é importante garantir que cada animal tenha acesso à quantidade adequada e que suas necessidades individuais sejam respeitadas. “Por vezes, os pets podem ter necessidades nutricionais diferentes e precisar de alimentos diferentes. Por isso, é importante respeitar a individualidade deles”, completa. Além disso, outro ponto importante é o local de refeição, que, assim como a alimentação, também deve ser adaptado às necessidades de cada um dos pets, e inclui desde a escolha correta dos comedouros e bebedouros até o cômodo em que será disponibilizado.

Condições específicas: Algumas condições, como sensibilidade alimentar ou enfermidades que exijam uma nutrição mais específica, como no caso de dietas coadjuvantes, ao longo da vida, também necessitam de ajustes na estratégia alimentar inicial. Essas dietas têm a finalidade de auxiliar no tratamento médico preconizado e podem ser utilizadas por um período ou até mesmo pela vida inteira. Nesse caso, a avaliação médica multidisciplinar ajuda a determinar o tipo da dieta e o melhor manejo nutricional para cada caso.

Qualidade e composição também entram na conta

A quantidade oferecida não é o único ponto a observar. A qualidade dos ingredientes, a digestibilidade, o objetivo da dieta e a composição do alimento também devem ser considerados.

Fontes de proteína de alta digestibilidade contribuem para a manutenção da massa muscular, enquanto outros ingredientes de alta qualidade favorecem o aproveitamento dos nutrientes. A formulação também pode ser adequada a diferentes fases da vida e necessidades, como controle de peso, cuidados com pele e pelagem ou suporte à saúde urinária.

“Um filhote, um adulto e um animal idoso têm necessidades diferentes, assim como um pet com maior ou menor nível de atividade. Por isso, a composição precisa estar adequada ao momento de vida do animal”, explica Mayara, lembrando que não existe um único alimento ideal para todos os animais ao longo da vida. “A escolha deve levar em conta idade, porte, nível de atividade, condição corporal e necessidades individuais, podendo ser revista conforme for necessário”, completa.

O papel do médico-veterinário

Alterações no peso, na disposição, no pelo, no apetite ou no funcionamento intestinal podem indicar que algo mudou, mas devem ser avaliadas em conjunto. Antes de trocar a alimentação por conta própria, a recomendação é buscar orientação veterinária.

“Cada animal tem um histórico, uma idade, um porte e uma rotina que precisam ser considerados. O médico-veterinário consegue avaliar esse conjunto e indicar a estratégia alimentar mais adequada. Sempre que houver uma mudança relevante, vale conversar com o profissional que acompanha o pet. Ele vai ajudar a identificar quando é necessário ajustar quantidade, frequência ou tipo de alimento ao longo da vida”, afirma Mayara.

Fonte: Buzzing

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