Dois casais tiveram gêmeos, e Keila se tornou avó seis dias antes de dar à luz novamente
O Centro de Conservação de Fauna Silvestre (Cecfau), unidade da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), em Araçoiaba da Serra, registrou o nascimento de quatro micos-leões-pretos em menos de uma semana. Os filhotes nasceram em dois partos de gêmeos, nos dias 22 e 28 de setembro, e têm um parentesco especial: os dois primeiros são netos da mico-leão Keila, que seis dias depois também deu à luz outros dois filhotes.
Os primeiros gêmeos nasceram no dia 22, filhos de Bernadete, de 4 anos, e Ronaldinho, de 3 anos. Nascida no próprio Cecfau, Bernadete é filha de Keila, que agora também é avó dos dois filhotes. Este é o primeiro nascimento do casal Bernadete e Ronaldinho, que vem apresentando excelente comportamento parental e boa adaptação aos cuidados com os filhotes.
Nesta segunda-feira (28), foi a vez de Keila, de 13 anos, e Tupac, de 9 anos, terem seus filhotes. Os dois nasceram na extinta Fundação Zoo e formaram casal no ano passado. Keila já teve outros filhotes com diferentes parceiros e, com os dois novos gêmeos, chega a dez descendentes. Ela e Tupac também são pais de Cali, primeiro mico-leão-preto nascido no Cecfau em 2026, em fevereiro.
“É um momento muito especial para toda a equipe. Além da alegria de acompanhar quatro novos filhotes em menos de uma semana, temos a oportunidade de observar duas gerações da mesma família se reproduzindo e demonstrando comportamentos adequados de cuidado parental. Esses nascimentos também mostram a importância do manejo e do acompanhamento contínuo dos animais para os programas de conservação”, afirma a veterinária do Cecfau, Mayara Caiaffa.
Um reforço para a conservação
Endêmico da Mata Atlântica paulista, o mico-leão-preto é um primata ameaçado de extinção e símbolo da biodiversidade do Estado. Atualmente, estima-se que existam cerca de 1.600 indivíduos da espécie na natureza e aproximadamente 80 sob cuidados humanos. No CECFAU, já nasceram 38 filhotes de mico-leão-preto como resultado do trabalho de conservação ex situ desenvolvido pela instituição. Além disso, aproximadamente 16 indivíduos já foram encaminhados para outras instituições em diferentes regiões do país, com o objetivo de formar casais reprodutivos e contribuir para a manutenção da espécie sob cuidados humanos. Atualmente, o CECFAU mantém 19 indivíduos.
Para a diretora de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil, Patrícia Locosque Ramos, cada nascimento representa uma conquista para a conservação. “Por trás de cada nascimento existe ciência, conhecimento, manejo e muito cuidado. Quando uma espécie ameaçada se reproduz sob cuidados humanos, estamos criando uma nova oportunidade para conhecer melhor essa espécie, fortalecer sua conservação e contribuir para que ela continue existindo na natureza”, afirma.
Proteção de outras espécies ameaçadas
Com 11 anos completados em junho, o Cecfau também desenvolve ações de conservação com outras espécies da fauna brasileira. Entre elas estão o sagui-da-serra-escuro, o tamanduá-bandeira e a arara-azul-de-lear, ave ameaçada de extinção e endêmica do sertão da Bahia. Desde 2019, a instituição registra nascimentos de araras-azuis-de-lear e contribui com programas nacionais de conservação, inclusive com o envio de indivíduos para ações de soltura.
Outro destaque são as pererecas-pintadas-do-rio-Pomba, espécie classificada como criticamente ameaçada de extinção e reproduzida sob cuidados humanos exclusivamente no Cecfau. A instituição mantém cerca de 800 animais. A população mantida na unidade supera o número de exemplares encontrados em vida livre até o momento, cerca de 50 indivíduos registrados em uma área de 1,36 km² na região de Cataguases (MG), na Zona da Mata mineira.
Fonte: Semil












