Saiba como fortalecer estes benefícios, ensinando responsabilidade e empatia e prevenindo acidentes domésticos e doenças
A chegada do Dia das Crianças ativa um pedido clássico de presente: o animal de estimação. A convivência com pets traz momentos inesquecíveis de alegria e bem-estar para todas as idades. Estudos apontam que as crianças que crescem ao lado de pets apresentam fortalecimento do sistema imunológico, melhor regulação da ansiedade e recebem importantes estímulos cognitivos e socioemocionais.
Para que essa relação seja sempre saudável e harmoniosa, cabe aos adultos garantir que o pet receba os cuidados veterinários necessários e que a interação com bebês e crianças ocorra com segurança. “Com o objetivo de evitar acidentes domésticos, a atenção precisa ser constante tanto em relação ao comportamento do animal quanto ao das crianças. As brincadeiras devem ocorrer sob supervisão e é importante observar se os pets apresentam sinais de dores ou desconfortos físicos que, muitas vezes, são a causa de reações agressivas inesperadas, como mordidas e arranhões. O cuidado se completa no âmbito da saúde, mantendo a vacinação rigorosamente em dia, os antiparasitários atualizados e a boa higiene do ambiente. Além disso, é imprescindível procurar um pet com comportamento e necessidades de espaços compatíveis com o estilo de vida da família. Entender essa demanda antes da adoção pode evitar ansiedade e comportamentos inadequados do animal”, orienta Dra. Cintia Ghorayeb, especialista em clínica médica do Veros Hospital Veterinário.
Confira os impactos positivos desta amizade para os pequenos e saiba como incentivar interações cheias de empatia, amor e respeito:
1. Desenvolvimento de responsabilidade
Cuidar de um ser vivo ensina compromisso e senso de dever. As tarefas devem respeitar a maturidade de cada fase infantil. Pequenos hábitos podem ser introduzidos para crianças entre 3 e 5 anos, como ajudar a abastecer tigelas de água e ração ou segurar a escova durante o cuidado com a pelagem. A partir dos 6 anos, é possível assumir obrigações fixas, como ajudar na higienização de brinquedos e potes, organização de pertences e acompanhar os passeios. Crianças de 8 a 10 anos podem atuar como ajudantes no banho (segurar o shampoo, molhar suavemente as patas do pet ou passar a toalha). Uma ótima estratégia para estruturar essa rotina em família é montar uma agenda ou um mural de tarefas bem visível em casa, detalhando visualmente os momentos de cada atividade.
2. Estímulo à compreensão das limitações do outro
A convivência ensina a ler sinais não verbais e respeitar quando o pet precisa de descanso. “Os pais podem auxiliar a criança a observar a linguagem corporal do animal. Orelhas abaixadas ou voltadas para trás, rabo recolhido entre as pernas, corpo rígido, lamber os próprios lábios com frequência, bocejar sem estar com sono, desviar o olhar ou rosnar de forma sutil indicam que o cão ou gato está estressado ou sobrecarregado. Ao identificar esses comportamentos, a orientação deve ser clara: é o momento de parar a brincadeira e dar espaço ao pet”, explica Dra. Cintia.
3. Incentivo à atividade física e redução do tempo de tela
A rotina de brincadeiras e cuidados com o pet afasta o sedentarismo e oferece uma alternativa natural e atraente ao uso excessivo de celulares, tablets e videogames. Mais do que movimentar o corpo em casa, a presença do animal estimula passeios frequentes em parques, praças e quintais, levando a criança a passar mais tempo ao ar livre. O contato diário com a luz natural e ambientes abertos é fundamental para o desenvolvimento infantil: auxilia na síntese de vitamina D, melhora a qualidade do sono, fortalece o sistema motor, reduz o estresse e traz benefícios comprovados para a visão, ajudando a prevenir e desacelerar a progressão da miopia.
4. Compreensão dos ciclos naturais da vida
Por possuírem uma expectativa de vida menor do que a nossa, os animais de estimação ensinam valiosas lições sobre o amadurecimento e a finitude de forma acolhedora e gradual. Acompanhar a transição do pet da fase jovem para a velhice ajuda a criança a desenvolver resiliência, compaixão e respeito ao tempo do outro, preparando-a emocionalmente para lidar com perdas no futuro. “É muito válido que os pais mantenham conversas adequadas à idade dos filhos sobre as mudanças físicas que ocorrem com o envelhecimento do pet. Uma forma simples de explicar é comparar esse processo ao dos avós humanos, mostrando que cães e gatos idosos também perdem um pouco da visão, da audição e da agilidade, além de cansarem mais rápido e sentirem dores articulares. A partir dessa compreensão, as crianças podem ser ensinadas a adaptar as brincadeiras para formatos mais suaves e a colaborar com o bem-estar do pet, ajudando, por exemplo, a posicionar os potes de água e comida em alturas confortáveis que evitem o esforço de se abaixar. Assim, os pais chamam as crianças para cuidar do pet”, sugere Ghorayeb.
Saúde e prevenção de acidentes
Para que a rotina em família transcorra com tranquilidade, o ambiente doméstico precisa ser preparado para proteger tanto as crianças quanto os animais de estimação. A adoção de medidas simples no dia a dia somada à supervisão, educação das crianças e manutenção dos cuidados médico-veterinários essenciais previne emergências e doenças.
Como evitar mordidas
Mesmo os animais mais carinhosos podem apresentar reações defensivas repentinas se forem pegos de surpresa, se assustarem durante as refeições ou se estiverem lidando com algum desconforto físico. Crianças pequenas, especialmente até 2 anos, não possuem controle motor adequado nem discernimento sobre os limites do animal e jamais devem permanecer sozinhas com o pet sem a presença de um adulto. “Para prevenir lesões graves, é importante ensinar desde cedo a criança a não aproximar o rosto do focinho do cão, a não puxar orelhas ou rabo e a não tocar no bichinho enquanto ele estiver comendo, dormindo ou roendo um brinquedo. No caso dos gatos, para evitar arranhões, a criança deve aprender a não conter o felino à força nem segurá-lo de forma apertada, respeitando quando ele tenta se afastar, nunca fazer movimentos bruscos em direção aos seus olhos e, nas brincadeiras, não usar diretamente as mãos ou os pés como ‘isca’, utilizando brinquedos próprios para interagir a uma distância segura, sempre respeitando o limite do pet”, alerta Dra Cintia.
Atenção aos cuidados sanitários
Manter a saúde do pet em dia é a principal barreira de proteção para toda a família contra as zoonoses – infecções transmitidas entre animais e humanos. Para garantir a saúde única desta família interespécie, são necessárias visitas regulares ao médico veterinário. “Estas visitas permitem a prática da medicina preventiva, que consiste na avaliação geral do paciente, regularização de vacinas anuais que previnem doenças graves como raiva, cinomose e parvovirose. Recomenda-se também avaliar amostra de fezes do pet a cada 6 meses ou vermifugá-lo de forma ampla e generalista, conforme a rotina e o nível de exposição do animal a ambientes externos. Além disso, é indispensável proibir o acesso de crianças pequenas aos tapetes higiênicos e às caixas de areia, garantindo também que elas sempre lavem as mãos com água e sabão após brincar com o bichinho”, completa.
Brinquedos e fios: perigos no chão de casa
Filhotes e cães curiosos costumam engolir peças de brinquedos, enquanto os gatos são atraídos por fios, linhas, fitas e fitilhos. A ingestão desses objetos pode causar obstruções intestinais severas, perfurações no trato digestivo e emergências cirúrgicas. Para evitar acidentes, oriente as crianças a guardarem os brinquedos menores em caixas fechadas e faça uma varredura constante no chão para recolher miudezas, fios soltos ou componentes rasgados antes de liberar o pet para o ambiente.
Fonte: Target














