Sedentarismo, excesso de petiscos e alimentos oferecidos fora da dieta estão entre os fatores que podem contribuir para o ganho de peso dos animais

A obesidade deixou de ser uma preocupação exclusivamente humana e passou a fazer parte também da rotina dos animais de companhia. Cães e gatos estão cada vez mais expostos a hábitos que favorecem o ganho de peso, como menor nível de atividade física, excesso de petiscos e a oferta de alimentos fora da dieta habitual.

Embora seja difícil apontar uma única causa para o aumento do sobrepeso entre os pets, a combinação entre uma alimentação desequilibrada e os excessos na oferta de alimentos está entre os principais fatores observados na rotina clínica.

“Difícil afirmar com exatidão, mas observamos que a oferta de uma dieta desequilibrada, aliada aos excessos de petiscos, são as principais causas”, explica a Médica Veterinária, Dra. Ana Gabriela Cordeiro, Mestre em Zootecnia pela UFV e Doutora em Zootecnia, pela UFPB, na área de nutrição animal.

A rotina da família também influencia

As mudanças no estilo de vida dos tutores podem ter reflexos diretos na rotina dos animais. Segundo a especialista, a redução das atividades ao ar livre, horários mais limitados e o próprio sedentarismo familiar podem fazer com que cães e gatos se movimentem menos.

Ao mesmo tempo, existe uma maior oferta de petiscos industrializados e de alimentos destinados aos humanos. O hábito de oferecer pequenas porções da própria comida ao animal também pode contribuir para o excesso de calorias ao longo do dia.

“É muito comum a ideia de que ‘só um pedacinho’ não irá causar problema. Mas, quando esses alimentos são oferecidos diariamente, eles também passam a fazer parte da ingestão calórica do animal”, explica Ana Gabriela.

Outro ponto de atenção é a alimentação caseira sem orientação profissional. O uso de ingredientes inadequados e a falta de controle das quantidades podem comprometer o equilíbrio nutricional da dieta.

Como saber se o animal está acima do peso?

O tutor pode observar alguns sinais em casa. Uma das ferramentas utilizadas para essa avaliação é o escore de condição corporal, que permite analisar visualmente e por meio da palpação alguns parâmetros do corpo do animal.

A especialista explica que existem tabelas de avaliação, normalmente apresentadas em uma escala de 1 a 5, que podem ajudar o tutor a identificar alterações na condição corporal. No caso dos animais de raça, o padrão da própria raça também pode servir como uma referência para o peso esperado na fase adulta.

Ainda assim, a avaliação profissional é importante para determinar as necessidades nutricionais individuais de cada animal e estabelecer uma estratégia adequada quando há sobrepeso ou obesidade.

Atividade física também faz parte do tratamento

A alimentação não é o único componente relacionado ao controle do peso. A rotina de atividades físicas também precisa ser considerada, principalmente em animais que passaram a ter um estilo de vida mais sedentário.

Passeios, brincadeiras e atividades dentro de casa podem ajudar a aumentar o gasto energético. No entanto, a mudança deve acontecer de maneira gradual, especialmente quando o animal já apresenta excesso de peso.

“Não devemos começar exigindo o máximo do animal, porque a resposta pode ser negativa. É um processo que precisa de constância e persistência. Conforme o animal perde peso, fica mais disposto e ganha energia para intensificar as atividades”, orienta a especialista.

5 dicas da especialista para melhorar a alimentação de cães e gatos

1. Controle as quantidades oferecidas

A quantidade de alimento deve ser adequada às necessidades do animal. A orientação pode partir das recomendações da embalagem do alimento ou, de forma mais individualizada, de um profissional que acompanhe o pet.

2. Cuidado com os petiscos

Petiscos também fazem parte da ingestão diária de calorias. Por isso, devem ser oferecidos com moderação e, principalmente, sem comprometer o equilíbrio da dieta principal.

3. Evite oferecer comida humana sem orientação

Aquele pequeno pedaço de comida oferecido diariamente pode representar um excesso de calorias ao longo do tempo. Alimentos da dieta humana também podem não ser adequados às necessidades nutricionais dos animais.

4. Tenha atenção à alimentação caseira

Dietas naturais ou caseiras precisam ser formuladas de maneira adequada para atender às necessidades nutricionais do animal. O acompanhamento profissional ajuda a evitar o uso de ingredientes inadequados e desequilíbrios na composição da dieta.

5. Combine alimentação adequada e atividade física

O controle do peso não depende apenas da redução da quantidade de alimento. A mudança da dieta deve ser acompanhada por uma rotina de atividades compatível com as condições e o nível de condicionamento do animal. O processo deve ser gradual e constante.

Para animais que precisam de maior controle da fome durante o processo de emagrecimento, Ana Gabriela também cita a possibilidade de utilização de produtos específicos, conforme a indicação profissional. Entre eles estão o Food Dog Fit Fibras, e, para cães que recebem alimentação natural, e o petisco funcional, o Fit Dog, da linha Nutra Dog, ambos da Botupharma

“A alimentação precisa ser adequada à realidade de cada animal, respeitando as quantidades e as necessidades individuais. O objetivo não é simplesmente fazer o pet comer menos, mas estabelecer uma rotina alimentar equilibrada que possa ser mantida ao longo do tempo”, afirma a especialista.

Fonte: Tantas

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