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Comportamentos compatíveis com o distúrbio podem aparecer em cães, interferindo no bem-estar, na relação com a família e até na saúde física do animal

O Transtorno de Déficit de Atenção (TDH), também conhecido na literatura como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), não é exclusividade humana. Embora ainda pouco discutido, Mariana Belloni, médica veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, destaca que comportamentos compatíveis com o distúrbio podem aparecer em cães, interferindo no bem-estar, na relação com a família e até na saúde física do animal.

De acordo com a médica veterinária muitos tutores confundem sinais de TDH com “energia de sobra” ou falta de adestramento. “Cães com transtornos de atenção apresentam um padrão persistente de hiperatividade, impulsividade e dificuldade de concentração que foge do esperado para a idade e para a raça. Quando isso começa a causar prejuízos ao animal ou à rotina da família, merece investigação clínica”, explica Mariana.

Vejam quais sinais podem indicar que seu cão tem TDH:

Inquietação constante
O cão não consegue permanecer parado por mais de poucos segundos, mesmo em momentos de descanso.

Dificuldade extrema de foco
Interrompe comandos repetidamente, não consegue manter a atenção durante treinos e se distrai com qualquer estímulo.

Impulsividade
Corre sem direção, pula em pessoas ou outros animais, reage rapidamente a estímulos e demonstra dificuldade de controle.

Comportamentos destrutivos frequentes
Roupa, móveis, objetos, a destruição ocorre mesmo após exercícios físicos adequados.

Sono irregular
Dificuldade de relaxar, menor tempo de repouso e padrões de sono fragmentados.

Hiperexcitabilidade
Reage de forma exagerada a sons, visitas ou movimentos ao redor.

Ansiedade associada
Pode apresentar vocalização excessiva, lamber ou morder as patas, ou demonstrar agitação intensa quando deixado sozinho.

Segundo a especialista, o diagnóstico é clínico e envolve avaliação comportamental detalhada; análise de histórico de rotina e estímulos; além de exclusão de outras condições médicas, como distúrbios hormonais, dor crônica ou ansiedade de separação. “Não existe um único exame que confirme o TDH em cães. O importante é observar padrões persistentes e como eles afetam a qualidade de vida”, complementa a veterinária.

Quanto ao tratamento, Mariana Belloni esclarece que é individualizado e pode envolver três pilares. “Modificação comportamental, com rotina de treinos curtos e frequentes e enriquecimento ambiental com a inclusão de brinquedos interativos, desafios olfativos e atividades mentais é uma das opções. É possível ainda fazer ajustes na rotina de exercícios entendendo a necessidade de trabalhar o físico e o mental e, nesses casos atividades como farejamento e comandos de foco costumam ser mais eficazes. A terceira saída é fazer uso de medicamentos, quando indicados por um médico veterinário”, salienta.

Sem tratamento, o TDH pode levar a aumento dos níveis de estresse, maior risco de acidentes e lesões, ganho ou perda de peso por ansiedade e dificuldade de socialização. “Quando manejado corretamente, o prognóstico é excelente. Cães com TDH podem viver normalmente e serem extremamente felizes. O segredo é entender suas necessidades e oferecer suporte adequado”, conclui.

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Fonte: Cogna

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