Com o aumento da expectativa de vida de cães e gatos no Brasil, médicos-veterinários têm observado um crescimento significativo no número de diagnósticos de doenças crônicas em pets. Problemas ortopédicos, neurológicos, renais e metabólicos passaram a fazer parte da rotina clínica, exigindo acompanhamento contínuo e tratamentos de longo prazo para garantir qualidade de vida aos animais.
Entre as condições mais frequentes estão artrose, displasia coxofemoral, hérnia de disco, diabetes e doença renal crônica. A médica-veterinária Stephany Chicarino conta que, embora muitas dessas enfermidades estejam associadas ao envelhecimento, os sinais costumam surgir de forma silenciosa e, muitas vezes, passam despercebidos pelos tutores.
Mudanças de comportamento, redução da disposição, dificuldade para subir escadas, perda de peso, aumento do consumo de água e alterações no apetite podem indicar que algo não está bem. Em muitos casos, esses sintomas acabam sendo confundidos apenas com o avanço da idade, o que atrasa o diagnóstico e compromete a evolução do tratamento.
“Hoje, muitos pets vivem mais, e isso exige um olhar cada vez mais atento para doenças crônicas que impactam diretamente a qualidade de vida. O diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo são fundamentais para controlar a dor, preservar a mobilidade e garantir bem-estar ao animal ao longo do envelhecimento”, destaca Chicarino.
A artrose, por exemplo, está entre as doenças degenerativas mais comuns em cães idosos. O desgaste progressivo das articulações pode causar dor, rigidez muscular e limitações de movimento, afetando diretamente atividades simples do dia a dia. Já a displasia coxofemoral, bastante recorrente em cães de grande porte, compromete a articulação do quadril e pode evoluir para quadros mais severos sem acompanhamento adequado.
Doenças neurológicas também têm causado preocupação aos tutores. A hérnia de disco, frequentemente observada em raças predispostas, como Dachshund e Shih-tzu, pode provocar dores intensas, alterações motoras e até perda dos movimentos em casos mais graves. Nesses cenários, o diagnóstico rápido costuma ser decisivo para reduzir sequelas e melhorar o prognóstico.
Além dos problemas ortopédicos e neurológicos, enfermidades renais seguem entre as principais causas de atendimento em animais idosos. A doença renal crônica, por exemplo, costuma apresentar evolução lenta e progressiva. Entre os sinais mais comuns estão aumento da sede, vômitos, perda de peso e alterações urinárias. Apesar de não ter cura, o controle clínico pode retardar a progressão da doença e oferecer mais conforto ao animal.
Nos últimos anos, a medicina veterinária ampliou as possibilidades de tratamento para esses pacientes. Recursos como fisioterapia, acupuntura, laserterapia, suplementação nutricional e terapias integrativas passaram a fazer parte da rotina de muitas clínicas, ajudando no controle da dor e na manutenção da mobilidade.
A veterinária reforça que o acompanhamento preventivo continua sendo uma das principais ferramentas para aumentar a longevidade e reduzir impactos das doenças crônicas. “Consultas periódicas, exames de rotina e atenção aos sinais comportamentais são apontados como fundamentais para identificar alterações ainda nos estágios iniciais”, concluiu.
Fonte: F4 Comunicação












