Especialista explica como a busca por transparência, ingredientes reconhecíveis e alimentos mais funcionais está transformando o mercado de alimentação pet e influenciando toda a cadeia produtiva
O mercado pet brasileiro continua em expansão, mas o crescimento do setor vem acompanhado de uma mudança importante no comportamento dos consumidores. Mais do que oferecer alimentação de qualidade para cães e gatos, os tutores querem compreender exatamente o que está presente nos produtos que levam para casa, impulsionando uma nova fase da indústria baseada em transparência, naturalidade e funcionalidade.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), o mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, crescimento de 9,6% em relação ao ano anterior. A alimentação representa a maior parcela desse mercado, com R$ 40,8 bilhões, o equivalente a 54,1% do faturamento do setor.
Na avaliação de Guilherme Fray, gerente de Marketing da Kemin, empresa global que desenvolve ingredientes para as indústrias de alimentos para animais de estimação, esse movimento está diretamente relacionado à forma como os brasileiros passaram a enxergar seus animais de estimação. “A principal força por trás dessa tendência é a humanização dos pets. Cada vez mais os tutores enxergam cães e gatos como membros da família e, por isso, buscam para eles os mesmos padrões de saúde, bem-estar e qualidade que procuram para si próprios. Isso inclui uma preferência crescente por alimentos com ingredientes conhecidos, menos artificiais e alinhados aos conceitos de naturalidade e clean label.”
Embora a procura por produtos naturais esteja em alta, Fray explica que o conceito ainda gera dúvidas, principalmente pela ausência de uma definição regulatória clara. “Ainda existe uma falta de clareza regulatória sobre o uso do termo ‘natural’ em muitas categorias do mercado pet, especialmente na América Latina. Como consequência, diferentes marcas adotam conceitos e estratégias de comunicação distintas, o que pode gerar interpretações variadas por parte dos consumidores.”
Por isso, segundo ele, o consumidor deve ir além das mensagens presentes nas embalagens. “Elementos visuais ou palavras associadas à naturalidade nem sempre significam que o alimento seja composto exclusivamente por ingredientes naturais. A transparência das informações e a leitura cuidadosa dos ingredientes tornam-se cada vez mais importantes para uma decisão de compra consciente.”
Na prática, um dos principais diferenciais dos alimentos posicionados como naturais está nas tecnologias de conservação. “Os produtos posicionados como naturais normalmente utilizam antioxidantes de origem natural, como tocoferóis e extratos botânicos, em substituição a antioxidantes sintéticos tradicionalmente utilizados pela indústria.”
Para Fray, a próxima evolução será ampliar esse olhar para toda a cadeia produtiva. O comportamento dos consumidores também vem influenciando a escolha dos ingredientes utilizados pela indústria. Além das tecnologias de conservação, cresce o interesse por proteínas de qualidade e ingredientes funcionais. “Os tutores estão cada vez mais atentos à origem das proteínas utilizadas e à presença de ingredientes funcionais que ofereçam benefícios adicionais à saúde dos animais. Componentes voltados à longevidade, saúde intestinal, imunidade e bem-estar geral são exemplos de ingredientes que ganham relevância.”
Outro conceito que ganha espaço é o clean label, baseado em formulações mais simples e transparentes. “Mais do que reduzir a complexidade das formulações, o clean label busca fortalecer a confiança entre a marca e o consumidor. O tutor deseja entender o que está oferecendo ao seu animal e valoriza produtos que apresentem ingredientes claros, com funções bem definidas e alinhados às expectativas atuais de saudabilidade e naturalidade.”
Tecnologia acompanha a evolução do mercado
O avanço da naturalidade não significa abrir mão da segurança dos alimentos. Segundo Fray, a tecnologia permite combinar ingredientes de origem natural com qualidade e vida útil. “Desenvolver produtos mais naturais exige conhecimento técnico e uma abordagem especializada para garantir a mesma eficiência em termos de qualidade, segurança e vida útil dos alimentos. Felizmente, a tecnologia disponível atualmente já permite alcançar esses objetivos de forma consistente.”
Ele destaca ainda que algumas soluções naturais oferecem benefícios que vão além da conservação. “Hoje, já existem evidências de que determinadas soluções naturais oferecem não apenas proteção ao alimento, mas também benefícios associados ao bem-estar e à saúde dos animais, ampliando ainda mais seu valor para a indústria e para os tutores.”
Na avaliação do especialista, essa transformação deve continuar nos próximos anos, impulsionando investimentos em inovação, ingredientes funcionais, microbioma, imunidade, longevidade e maior transparência ao longo de toda a cadeia produtiva. “Os consumidores estão mais informados e exigentes, o que aumenta a necessidade de práticas alinhadas ao discurso apresentado nas embalagens e campanhas de marketing”, conclui Fray.
Fonte: Alfapress Comunicações














