Alimentação inadequada, predisposição e falta de acompanhamento podem impactar a saúde do coração dos animais; especialista explica como identificar sinais, reduzir riscos e garantir cuidados adequados.
Cansaço, intolerância ao exercício, respiração mais rápida ou difícil, tosse, fraqueza, episódios de desmaio, redução do apetite, perda de peso e aumento do volume abdominal são sinais que podem indicar alterações cardíacas nos pets. As doenças do coração afetam 10% dos cães e 15% dos gatos, sendo a quarta causa de morte mais comum nos cães, de acordo com pesquisa da AniCura.
As doenças cardíacas mais comuns variam de acordo com a espécie, idade e porte do animal. Em cães, destacam-se a doença valvar degenerativa, caracterizada pelo desgaste progressivo das valvas cardíacas, principalmente a mitral, e a cardiomiopatia dilatada, caracterizada pelo enfraquecimento do músculo cardíaco, que se dilata e perde a capacidade de bombear o sangue de forma eficiente. Em gatos, a cardiomiopatia hipertrófica, doença que leva ao espessamento das paredes do coração, dificultando o bombear de sangue e podendo resultar em insuficiência cardíaca ou tromboembolismo, é uma das alterações mais frequentes.
Alguns fatores podem aumentar o risco cardiovascular, como idade avançada, predisposição genética e racial, obesidade, sedentarismo, alterações nutricionais e algumas doenças sistêmicas. Por isso, o acompanhamento veterinário periódico é essencial para identificar precocemente alterações que possam comprometer a saúde cardiovascular.
Alimentação como aliada
Nem todas as doenças cardíacas podem ser prevenidas, principalmente aquelas relacionadas à genética e à idade. Entretanto, é possível trabalhar na redução de fatores de risco e, principalmente, na detecção precoce.
A alimentação tem papel importante na manutenção da saúde cardiovascular, explica o médico-veterinário Guilherme Gonçalves, parceiro da Quinta Pet, foodtech de alimentação natural para cães. Segundo o especialista, uma dieta adequada deve fornecer energia suficiente para manter o peso corporal saudável e, ao mesmo tempo, garantir proteínas, gorduras, vitaminas e minerais em quantidades e proporções adequadas.
O controle do excesso de calorias é especialmente necessário, já que a obesidade está associada a diversas alterações metabólicas que podem aumentar a sobrecarga do organismo. Também é necessária atenção ao equilíbrio de minerais e eletrólitos, especialmente sódio, potássio e magnésio, além da qualidade dos ácidos graxos da dieta. Em situações específicas, nutrientes como taurina e determinados ácidos graxos ômega-3 podem fazer parte da estratégia nutricional.
Entretanto, é importante destacar que a necessidade desses nutrientes depende da espécie, idade, condição clínica, estágio da doença e dieta utilizada. Por isso, suplementações não devem ser realizadas de forma indiscriminada.
Aos pets já cardiopatas, segundo o especialista, a dieta deve ser individualizada de acordo com o tipo de doença, estágio clínico, presença de outras enfermidades e medicamentos utilizados. Em alguns casos, pode ser necessário realizar ajustes na ingestão de sódio, controlar a quantidade de energia para evitar excesso de peso e adequar proteínas, minerais e outros nutrientes. Também pode haver indicação de nutrientes específicos como parte da terapia nutricional.
Um dos principais erros, segundo ele, é simplesmente retirar o sal da alimentação ou oferecer uma dieta caseira sem formulação adequada. Outro erro comum é utilizar suplementos por conta própria, sem considerar possíveis interações com a doença ou com os medicamentos.
“A alimentação do paciente cardiopata deve ser encarada como parte do tratamento e, sempre que possível, planejada individualmente pelo médico-veterinário, em conjunto com o acompanhamento cardiológico”, frisa.
Prevenção
Consultas veterinárias periódicas, controle adequado do peso corporal, atividade física compatível com a condição do animal e uma alimentação nutricionalmente equilibrada são medidas que contribuem para a saúde cardiovascular, ajudam a reduzir fatores de risco e favorecem a detecção precoce de alterações.
Segundo o especialista, dependendo da idade, raça, histórico e achados do exame físico, o médico-veterinário pode indicar exames complementares, como aferição da pressão arterial, exames de sangue, eletrocardiograma, ecocardiograma e exames de imagem. No entanto, ele alerta: “a avaliação individualizada é fundamental, pois não existe um único protocolo de prevenção cardiovascular que seja adequado para todos os cães e gatos.
Fonte: Upper












