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No interior de São Paulo, estudante universitária com TEA encontrou no cão de assistência para o autismo uma ponte para a socialização
O programa Cão de Assistência do Instituto Adimax já beneficiou mais de 30 pessoas com Transtorno do Espectro Autista

Por onde anda, a labradora Zoe arranca suspiros de admiradores com seus olhos calmos e uma carinha que parece estar sempre sorrindo. Mas enquanto está com o equipamento de trabalho, os fãs precisam conter a vontade de fazer carinho. Afinal, ela tem uma missão: ser apoio emocional e auxiliar na regulação emocional de Ana Júlia, jovem moradora de Sorocaba (SP) que é autista nível 1 de suporte, e encontrou no cão de assistência a força para enfrentar a condição. “Zoe é a melhor coisa que aconteceu na minha vida, minha companheira, minha protetora”, diz.

Essa história de “match perfeito” começou em 2024, quando Ana Júlia se inscreveu no programa Cão de Assistência do Instituto Adimax, que está localizado em Salto de Pirapora (SP). Na época a estudante sofria com timidez extrema, medo de ficar sozinha, insegurança nas interações sociais, dentre outros sintomas relacionados ao Transtorno do Espectro Autista. Ela não saía sozinha de casa e, para frequentar as aulas da faculdade de educação física, Ana Júlia contava com a disponibilidade da irmã gêmea para acompanhá-la. Mas ao receber a Zoe tudo mudou, relata: “Ela é meu porto seguro, desde que chegou tenho uma companhia. Eu sempre fui muito insegura, tive vários problemas sensoriais, crises e medo de ficar sozinha, mas hoje tudo é diferente, eu consigo ser mais independente, mais segura, me ajuda muito no dia a dia”.

Zoe é um dos mais de trinta cães de assistência para pessoas do espectro autista treinados e doados pelo Instituto Adimax. O programa atende pessoas com TEA que realmente necessitem desse suporte. Pois o papel do cão ultrapassa da presença companhia, afinal não é um pet. Sem exceção devem usar identificação e não interagir por meio de brincadeiras com outras pessoas quando estiverem em serviço. Além disso, todos cães do programa passam por um intenso treinamento iniciado ainda na maternidade de filhotes.

O programa Cão de Assistência envolve uma equipe multidisciplinar, que segue parâmetros internacionais pré-determinados para a funcionalidade do cão. “No TEA, por exemplo, as pessoas com essa condição podem vivenciar sobrecarga sensorial, comportamentos repetitivos, rigidez, isolamento ou colapsos devido a dificuldades de comunicação ou mudanças na rotina. O cão de serviço é treinado para interromper esses comportamentos rígidos ou ritualísticos. É um melhor amigo sim, mas não apenas isso,” pontua o psicólogo do Instituto Adimax, Fábio Martins

E como suporte emocional, a presença segura do cão de assistência ainda ajuda na regulação das emoções, além de atuar como ponte social: “O cão incentiva a comunicação verbal e a responsabilidade, além de oferecer o suporte necessário para o enfrentamento de mudanças”, ressalta Fabio.

Esse fato é confirmado por Ana Júlia: “ As pessoas vêm perguntar dela e eu acabo socializando, já consigo ficar em ambientes com mais gente”, conta.

São vitórias que não têm gosto de batalha ganha, mas indicam onde essa dupla pode chegar. “Meu sonho é ter minha independência, meu próprio dinheiro e ser feliz com a Zoe”, planeja Ana Júlia.

Sobre o Instituto Adimax

Localizada em Salto de Pirapora, interior de São Paulo, a sede conta com uma estrutura completa. São 15 mil metros quadrados, com maternidade, canil, clínica veterinária, centro cirúrgico, área de soltura, lazer e treinamento, prédio administrativo e hotel para receber futuras pessoas com deficiência visual que receberão os cães-guias, e uma equipe multidisciplinar, distribuída nas áreas de saúde e bem-estar, equipe técnica, administrativo, relações institucionais, assistência social, responsabilidade social e operacionais, totalizando 53 colaboradores.

O propósito do Instituto é apoiar a inclusão de pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade e o bem-estar animal.

Antes de chegarem ao seu destino, os cães são acolhidos por famílias voluntárias onde ficam pelo período de um ano. O papel dos socializadores é expor os animais às mais diversas situações do cotidiano, para promover seu desenvolvimento e acostumá-los à rotina. Além, é claro, de dar a eles tempo e amor. Depois desse período, os cães voltam para o instituto e ficam entre 4 e 6 meses em treinamento. Após formados, poderão ser doados para dar início a missão: transformar a vida de pessoas com deficiência visual.

Além do Programa Cão de Assistência, o Instituto conta com outros 10programas sociais que tem como finalidade a inclusão social e cuidado de pessoas em vulnerabilidade.

A entrega do cão guia é feita de forma totalmente gratuita aos candidatos que preencham os requisitos do Programa. A inscrição é feita diretamente no site: www.institutoadimax.org.br na aba cão guia.

Fonte: JT Comunicação

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