Créditos: Divulgação

O questionário da pesquisa Futuro Multiespécie – liderada pelo Atelier do Futuro – está disponível e é um convite para que os brasileiros de todas as idades possam contribuir com a investigação sobre como a inteligência artificial pode transformar a relação entre humanos e outras espécies.

A pesquisa envolve questões sobre senciência animal, bioacústica, inteligência artificial, novos direitos e os impactos éticos, sociais e tecnológicos decorrentes da possibilidade de compreender novas formas de comunicação presentes na natureza. Os interessados podem participar respondendo ao questionário, que leva cerca de dez minutos e está disponível em: https://tally.so/r/7RO5kz.

A maneira como humanos se relacionam com os demais seres vivos está passando por uma transformação que atravessa o direito, a cultura, a ciência e a tecnologia. A possibilidade de utilizar a inteligência artificial para compreender novas formas de comunicação entre espécies – até pouco tempo restrita ao campo da ficção – passou a ser objeto de uma pesquisa internacional. Para mapear como os brasileiros percebem essa mudança, o estudo Futuro Multiespécie, liderado pela futurista Mariana Nobre, fundadora do Atelier do Futuro, abriu uma consulta pública que irá subsidiar uma das frentes da investigação.

Com horizonte de análise entre 2026 e 2036, o Futuro Multiespécie investiga as transformações que poderão remodelar as relações entre humanos, animais e natureza ao longo da próxima década. A pesquisa parte da premissa de que a sociedade vive uma reorganização estrutural, na qual os animais deixam de ocupar exclusivamente o lugar de propriedade, recurso ou mercadoria para conquistar um novo estatuto moral, jurídico, político e cultural.

A consulta pública brasileira, conduzida pelo Atelier do Futuro, integra a Global Dialogues, criada pela Earth Species Project, organização sem fins lucrativos, sediada na Califórnia (Estados Unidos), dedicada ao desenvolvimento de pesquisas em aprendizado de máquina e bioacústica para compreender a comunicação não humana. Realizada em parceria com o Collective Intelligence Project (CIP), a iniciativa investiga como diferentes sociedades percebem o potencial da inteligência artificial para ampliar a compreensão das formas de comunicação presentes na natureza e transformar a relação entre a humanidade e o restante do mundo vivo.

“O avanço da inteligência artificial está nos levando a questionamentos que, até recentemente, pertenciam quase exclusivamente ao campo da ficção científica. Se conseguirmos compreender melhor outras formas de comunicação presentes na natureza, estaremos diante de uma transformação que ultrapassa a tecnologia e alcança a ética, o direito, a economia, a cultura e a própria maneira como entendemos nosso lugar no planeta”, afirma Mariana Nobre.

Metodologia e desdobramentos da pesquisa

Para compreender todas as facetas da temática, o levantamento está estruturado em dez frentes de investigação: direitos não humanos; bioética; inteligência artificial e interfaces interespécies; consumo e mercado; cultura e economia criativa; tensões e backlash; políticas públicas e advocacy; natureza e mundos multiespécies; psique e ligações de afeto; e comportamento animal.

A metodologia combina pesquisa documental, netnografia, entrevistas em profundidade com mais de 60 especialistas – entre juristas, neurocientistas, antropólogos, arquitetos, psicólogos, ativistas e lideranças indígenas – e levantamentos quantitativos realizados no Brasil e no exterior. O objetivo é produzir um amplo ecossistema de dados, tendências e análises capaz de orientar empresas, governos, organizações da sociedade civil e pesquisadores diante das mudanças que começam a redefinir as relações entre humanos e outras espécies.

No Brasil, os resultados irão alimentar tanto essa iniciativa internacional quanto o capítulo Comunicação e IA – que integra o estudo Futuro Multiespécie, dedicado a investigar dois movimentos complementares: o avanço da tradução algorítmica da natureza, por meio da análise de vocalizações e padrões sonoros de diferentes espécies, e o surgimento de novas interfaces de comunicação entre humanos e animais domésticos, como dispositivos baseados em Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) e painéis de botões de fala.

O questionário – que reúne questões sobre senciência animal, bioacústica, inteligência artificial, novos direitos e os impactos éticos, sociais e tecnológicos decorrentes da possibilidade de compreender novas formas de comunicação presentes na natureza – leva cerca de dez minutos para ser respondido e pode ser acessado pelo link: https://tally.so/r/7RO5kz

ATELIER DO FUTURO | O Atelier do Futuro é um bureau brasileiro de inteligência estratégica especializado em estudos de futuro, tendências e transformações socioculturais. Fundado pela futurista Mariana Nobre, desenvolve pesquisas, cenários prospectivos e projetos de foresight que ajudam organizações, marcas e instituições a compreender mudanças emergentes e tomar decisões orientadas para o longo prazo.

Com uma abordagem interdisciplinar, combina pesquisa qualitativa e quantitativa, análise de sinais fracos, comportamento, cultura, inovação e tecnologia para investigar as forças que moldam o futuro da sociedade. Entre seus temas de atuação estão Inteligência Artificial, direitos da natureza, sustentabilidade, novas economias, comportamento, cultura e as relações entre humanos, tecnologia e outras espécies.

Inspirado pela ideia de que o futuro não é um destino inevitável, mas um espaço de construção coletiva, o Atelier do Futuro busca identificar, nas transformações do presente, caminhos capazes de ampliar possibilidades e criar alternativas a cenários distópicos. https://www.atelierdofuturo.com.br/

Fonte: Frida Luna

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