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Após um período de reabilitação, primatas foram destinados à capital paulista para ampliar a população de segurança de uma das espécies mais ameaçadas de extinção do Brasil

Três macacos-aranha-da-testa-branca (Ateles marginatus) vindos de Sinop (MT) passaram a integrar o programa de conservação do Zoológico de São Paulo. Cigarra, Formiga e Cupim percorreram quase dois mil quilômetros até a capital paulista para formar um grupo com Joca, único representante da espécie que já vivia no local. A iniciativa amplia a população de segurança mantida sob cuidados humanos.

As trajetórias de Cigarra, Formiga e Cupim até a capital paulista foram marcadas por diferentes situações de risco. Cigarra, uma fêmea de quase três anos, foi encontrada ainda filhote após um incêndio em uma área do norte de Mato Grosso e encaminhada ao Centro de Vida Selvagem (CeVS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Formiga, de oito anos, chegou à unidade depois de ser resgatada pelo Corpo de Bombeiros em uma rodovia. Já Cupim, macho de quatro anos, foi levado ao centro após ser localizado ao lado da mãe, que morreu atropelada em uma via urbana de Sinop.

Os três foram encaminhados ao Centro de Vida Selvagem (CeVS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no campus de Sinop, onde permaneceram sob os cuidados da equipe coordenada pela professora Elaine Dione. Durante esse período, receberam acompanhamento veterinário, nutricional e comportamental.

“Esses animais chegaram filhotes e precisaram de atendimento veterinário para superar as condições em que foram encontrados. Depois iniciou-se um trabalho de manejo comportamental e nutricional. Trata-se de uma espécie com organização social complexa, por isso buscamos preservar seus comportamentos naturais. Eles convivem juntos há anos e agora seguem para uma instituição que participa de um programa de reprodução da espécie, contemplada por um Plano de Ação Nacional”, explica Elaine Dione.

A transferência para São Paulo ocorreu por meio da parceria entre o CeVS e o Zoológico de São Paulo. A Latam Linhas Aéreas colaborou com o transporte por meio do programa Avião Solidário, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento.

Na chegada ao zoológico – em março deste ano – Cigarra, Formiga e Cupim cumpriram quarentena, passaram por exames veterinários e iniciaram a adaptação ao novo habitat. Em seguida, começou a aproximação controlada com Joca. Concluída essa etapa, os quatro passaram a compartilhar o mesmo espaço na ilha dos primatas na última semana.

Para a bióloga do Zoológico de São Paulo, Tays Izidoro, a chegada do trio representa um reforço importante para o programa de conservação.

“O sentimento é de muita esperança. Por ser uma espécie extremamente ameaçada de extinção e nós termos uma população de segurança ainda pequena vivendo sob cuidados humanos, qualquer novo integrante representa uma oportunidade para garantir a continuidade da espécie dentro do programa de conservação”, afirma.

Programa de conservação

Com a formação do grupo, composto por dois machos e duas fêmeas, o Zoológico de São Paulo amplia o trabalho de conservação do macaco-aranha-da-testa-branca. Entre as principais ferramentas está o studbook, banco de dados que reúne o histórico dos animais mantidos sob cuidados humanos e orienta o manejo genético, incluindo a formação de casais.

A bióloga Tays Izidoro é responsável pelo gerenciamento do studbook no Brasil. O trabalho reúne dados sobre origem, idade, parentesco e histórico reprodutivo dos animais mantidos nas instituições participantes. Com essas informações, é possível definir os pareamentos mais adequados para manter a diversidade genética da população.

“Todo programa de conservação é uma iniciativa da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil em parceria com o ICMBio, órgão responsável pela conservação das espécies ameaçadas no País. Para criar o studbook, foi realizado um mapeamento de todos os animais sob cuidados humanos, com um levantamento detalhado sobre idade, origem, parentesco e histórico reprodutivo. A partir desse material, são construídas as árvores genealógicas e definidos os casais mais indicados”, explica.

O macaco-aranha-da-testa-branca integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A iniciativa reúne esforços para conservar dez espécies ameaçadas de extinção na Amazônia.

Sobre a espécie

Endêmico do Brasil, o macaco-aranha-da-testa-branca ocorre em Mato Grosso e Pará e está classificado pelo ICMBio como Em Perigo de extinção.

É um dos maiores primatas das Américas. Os membros longos, a cauda preênsil, utilizada como apoio durante a locomoção, e a mancha triangular branca na testa estão entre suas características mais marcantes.

A dieta é composta principalmente por frutas, complementadas por folhas, brotos e cascas de árvores. Na natureza, forma grupos sociais complexos que podem reunir de 18 a 25 indivíduos.

Fonte: Zoológico SP

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