Com mais de 166 milhões de animais de estimação no país, crescimento dos serviços veterinários e demanda por tratamentos individualizados abrem espaço para novos negócios. Empresas que já atuam na saúde humana ampliam operações para o segmento pet.

Com mais de 166 milhões de animais de estimação no país, crescimento dos serviços veterinários e demanda por tratamentos individualizados abrem espaço para novos negócios. Empresas que já atuam na saúde humana ampliam operações para o segmento pet.

O mercado brasileiro de animais de estimação deve movimentar aproximadamente R$ 81 bilhões em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet). O valor representa um crescimento nominal estimado de 4,35% em relação ao ano anterior e reforça a dimensão econômica de um setor que deixou de estar concentrado na comercialização de alimentos e acessórios para incorporar uma cadeia cada vez mais diversificada de serviços, medicamentos e cuidados especializados.

Com uma população estimada em 166,8 milhões de animais de estimação, o Brasil ocupa a terceira posição mundial em número de pets. O tamanho desse mercado acompanha uma transformação na relação entre tutores e animais, que passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante na dinâmica familiar e nas decisões de consumo.

O avanço também se reflete na procura por serviços relacionados à saúde animal. Em 2025, o segmento de medicamentos veterinários movimentou aproximadamente R$ 8,21 bilhões, crescimento nominal de 5%, enquanto os serviços veterinários registraram expansão de 6,7%, alcançando R$ 8,18 bilhões, de acordo com dados da Abempet.

Os resultados chamam a atenção porque ocorreram em um período de desaceleração do mercado pet como um todo. Em 2025, o setor faturou cerca de R$ 77,96 bilhões, alta nominal de 3,45%, abaixo da inflação acumulada de 4,26%. O desempenho indica que, embora o mercado continue relevante em volume financeiro, as empresas enfrentam um ambiente mais competitivo, no qual a especialização e a diversificação de serviços ganham importância.

Entre as oportunidades identificadas nesse cenário está a manipulação de medicamentos veterinários, atividade que permite preparar formulações individualizadas conforme as necessidades clínicas de cada animal e a prescrição do médico-veterinário.

Empresas de saúde humana encontram oportunidades no mercado veterinário

A expansão do setor tem atraído empresas tradicionalmente ligadas à saúde humana. É o caso da empresária Fabíola Faleiros, que atua no mercado de farmácia magistral por meio de duas marcas, a LA PHARMA e a UNNA PHARMA, e agora amplia seus negócios com a inauguração da LA PHARMA Vet, dedicada à manipulação de medicamentos veterinários.

A nova operação representa uma diversificação da atuação empresarial, aproveitando a experiência adquirida no segmento farmacêutico para atender a um mercado que apresenta necessidades específicas de formulação, acompanhamento terapêutico e segurança.

Para Fabíola, a entrada no setor veterinário acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores e na maneira como os cuidados com os animais passaram a ser tratados pelas famílias.

“O mercado pet mudou muito nos últimos anos. Hoje, os animais fazem parte da família e existe uma preocupação cada vez maior com a qualidade dos tratamentos que recebem. Depois da experiência que construímos com a LA PHARMA e a UNNA PHARMA, percebemos que poderíamos levar esse conhecimento também para a saúde animal. A LA PHARMA Vet nasce com esse propósito: oferecer um atendimento especializado, com responsabilidade farmacêutica, segurança e soluções individualizadas para cada necessidade”, afirma Fabíola Faleiros.

A decisão de ampliar a atuação para o segmento veterinário também acompanha um movimento de diversificação dos serviços relacionados à saúde dos animais. Além das consultas e dos procedimentos clínicos, o tratamento de doenças crônicas, o acompanhamento de animais idosos e a necessidade de formulações específicas podem ampliar a demanda por soluções farmacêuticas individualizadas.

Diferentemente dos medicamentos industrializados, produzidos em apresentações e concentrações padronizadas, a manipulação magistral permite preparar determinadas formulações conforme a prescrição, considerando características como espécie, peso, idade, condição clínica e necessidades terapêuticas.

Essa individualização pode ser relevante, por exemplo, quando a dose prescrita não está disponível comercialmente ou quando o animal necessita de uma apresentação farmacêutica diferente, desde que tecnicamente adequada.

Manipulação veterinária exige cuidados específicos

Apesar das semelhanças com a manipulação de medicamentos destinados a humanos, a farmácia veterinária apresenta particularidades que exigem conhecimento técnico e rigor na preparação das fórmulas.

As diferenças metabólicas entre espécies tornam inadequada a simples adaptação de medicamentos humanos para uso animal. Determinadas substâncias, concentrações e excipientes podem apresentar riscos distintos para cães, gatos e outros animais.

Por esse motivo, a manipulação veterinária exige avaliação criteriosa dos componentes utilizados, das doses prescritas e das características de cada paciente, além do cumprimento das normas sanitárias aplicáveis.

“Não se trata simplesmente de manipular medicamentos para animais. Estamos falando de pacientes com necessidades muito diferentes das humanas e, muitas vezes, diferentes entre si. Um medicamento indicado para um cão não necessariamente pode ser utilizado em um gato. Por isso, nosso objetivo é unir a experiência da farmácia magistral ao conhecimento específico da área veterinária, sempre respeitando a prescrição e o acompanhamento do médico-veterinário”, explica Fabíola.

A atuação das farmácias especializadas também envolve aspectos como procedência das matérias-primas, rastreabilidade dos insumos, controle dos processos de manipulação e orientação sobre conservação e administração dos medicamentos.

A individualização, entretanto, não significa que toda formulação manipulada seja necessariamente mais eficaz do que um medicamento industrializado. A indicação depende da avaliação clínica, da disponibilidade de tratamentos registrados e das necessidades específicas de cada animal.

A prescrição e o acompanhamento pelo médico-veterinário continuam sendo fundamentais para garantir o uso adequado dos medicamentos.

Saúde animal amplia possibilidades de negócios

A evolução do mercado pet brasileiro também reflete mudanças na composição dos gastos dos tutores. Embora a alimentação continue representando uma parcela expressiva do faturamento do setor, medicamentos, consultas, exames e tratamentos especializados integram uma cadeia de serviços que ganha relevância econômica.

O envelhecimento dos animais de estimação, o acompanhamento de doenças crônicas e os avanços da medicina veterinária são fatores que podem contribuir para a necessidade de tratamentos mais específicos ao longo da vida dos pets.

Nesse contexto, a farmácia magistral veterinária encontra espaço para atuar de maneira complementar à indústria farmacêutica, especialmente em situações nas quais há necessidade clínica de individualização de doses ou apresentações.

Para empresas que já possuem experiência no setor magistral, a entrada nesse mercado representa a possibilidade de diversificar suas operações. Ao mesmo tempo, exige investimentos em capacitação, procedimentos específicos e adequação às exigências regulatórias da atividade.

A inauguração da LA PHARMA Vet marca essa nova etapa na trajetória empresarial de Fabíola Faleiros, que passa a atuar em três operações farmacêuticas, considerando as marcas LA PHARMA, UNNA PHARMA e a nova unidade veterinária.

A empresária destaca que a expansão está relacionada não apenas ao potencial econômico do mercado, mas também à necessidade de oferecer um serviço especializado em um segmento no qual a confiança e a responsabilidade técnica são fundamentais.

Crescimento exige diferenciação

Embora as projeções apontem para um faturamento superior a R$ 80 bilhões em 2026, o mercado pet brasileiro também enfrenta desafios relacionados ao poder de compra das famílias, à concorrência e aos custos operacionais.

A desaceleração observada em 2025 demonstra que o crescimento nominal do faturamento não representa, necessariamente, aumento real do consumo. Para as empresas, o cenário reforça a importância de estratégias que combinem especialização, eficiência e diferenciação.

A expansão dos serviços de saúde animal aparece nesse contexto como uma oportunidade para negócios que buscam atender demandas mais específicas, embora os dados gerais do setor não permitam determinar isoladamente o ritmo de crescimento das farmácias de manipulação veterinária.

Com a entrada da LA PHARMA Vet nesse mercado, Fabíola Faleiros amplia a presença de seus negócios no setor farmacêutico e acompanha uma transformação mais ampla da economia pet brasileira, marcada pela diversificação de serviços e pela crescente complexidade dos cuidados destinados aos animais de estimação.

Em um setor que reúne milhões de consumidores e movimenta dezenas de bilhões de reais por ano, a especialização farmacêutica passa a integrar as estratégias de empresas que enxergam na saúde animal uma nova frente de atuação.

Fonte: Baronesa Comunicação

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