A relação entre pessoas e animais de estimação ocupa um espaço cada vez mais significativo na vida familiar. Cães e gatos participam da rotina, acompanham diferentes fases da vida e constroem vínculos afetivos que não desaparecem com a morte. Reconhecer essa relação também significa olhar para a forma como a sociedade lida com a despedida e com o luto de quem perde um animal.
A aprovação da Lei Estadual nº 18.397/2026, em São Paulo, representa um avanço nesse sentido. Conhecida como Lei Bob Coveiro, a norma autoriza o sepultamento de cães e gatos em campas e jazigos cuja concessão pertence às famílias de seus tutores. A medida reconhece uma demanda de pessoas que desejam manter seus animais próximos à família após a morte, respeitadas as exigências sanitárias, administrativas e municipais aplicáveis.
A legislação, porém, é apenas uma parte dessa discussão. Transformar esse reconhecimento em possibilidades concretas exige procedimentos seguros, regras claras e estrutura adequada. Em Suzano, o Decreto Municipal nº 10.489/2026 regulamentou o sepultamento de animais em cemitérios públicos e privados, estabelecendo condições como a comprovação da titularidade ou autorização de uso do jazigo, a apresentação de declaração de óbito emitida por médico-veterinário e o acondicionamento apropriado. Em Cotia, a Lei Municipal nº 2.548/2026, sancionada em setembro, também definiu requisitos sanitários e operacionais para o procedimento.
As regulamentações demonstram que o tema demanda articulação entre poder público, administradores de cemitérios e profissionais envolvidos nos cuidados com os animais. A possibilidade de sepultamento em jazigos familiares precisa estar associada à observância das normas locais, à disponibilidade de espaço e à adoção de medidas que garantam a segurança sanitária. O respeito ao vínculo afetivo não elimina a necessidade de responsabilidade na execução do serviço.
Ao mesmo tempo, é importante compreender que a despedida não se resume às providências práticas. A perda de um animal pode provocar mudanças profundas na rotina, na sensação de companhia e no bem-estar emocional. Ainda assim, o sofrimento de quem enfrenta esse tipo de luto nem sempre recebe o mesmo reconhecimento social concedido a outras perdas. Comentários que minimizam a dor ou tratam o vínculo como algo menor podem dificultar a busca por apoio justamente em um momento de vulnerabilidade.
Por isso, o acolhimento precisa fazer parte dessa conversa. Ter espaço para falar sobre a perda, preservar lembranças e encontrar apoio emocional são possibilidades importantes para atravessar o luto. O acompanhamento psicológico, quando necessário, também pode ajudar a lidar com as mudanças provocadas pela ausência. Não existe uma forma única de viver esse processo, e o tempo necessário para elaborá-lo varia de pessoa para pessoa.
A ampliação das alternativas de despedida acompanha essa compreensão. Além do sepultamento, a cremação permanece como uma opção para as famílias, conforme a disponibilidade dos serviços e as regras aplicáveis. Mais do que definir um procedimento, o importante é assegurar que as pessoas possam fazer escolhas compatíveis com seus vínculos e suas possibilidades, com informação, segurança e respeito.
O debate também abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre responsabilidade e cuidado com os animais. A adoção responsável, a proteção animal e o apoio a iniciativas que promovem o bem-estar dos pets fazem parte de uma relação que envolve compromissos ao longo de toda a vida. A despedida é uma etapa dessa trajetória, mas não deve ser o único momento em que a sociedade reconhece a importância desses vínculos.
O avanço da legislação paulista sinaliza uma mudança na maneira de compreender a relação entre pessoas e animais de estimação. Afinal, respeitar a despedida também significa reconhecer a história compartilhada e a dimensão afetiva de uma perda que, para muitas famílias, é profundamente significativa.
*João Paulo, Diretor Comercial e Marketing do Grupo Colina, fundado em 2002, o Grupo Colina atua com cemitérios, funerárias e planos de assistência familiar, oferecendo serviços completos com foco em acolhimento, respeito e dignidade.
Sobre o Grupo Colina
Fundado em 2002, o Grupo Colina atua com cemitérios, funerárias e planos de assistência familiar, oferecendo serviços completos com foco em acolhimento, respeito e dignidade. Presente em Suzano, Guarulhos, Poá e Cotia, o Colina é referência em cerimônias humanizadas e soluções que abrangem desde a prevenção até o momento da despedida, com atendimento 24 horas e cobertura nacional.
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Fonte: NB Press Comunicação














