Mudança ocorre após técnica alemã ser filmada socando um cavalo nos Jogos de Tóquio
Criada no fim do século XIX, o pentatlo moderno, modalidade composta por provas de esgrima, natação, hipismo, corrida e tiros a laser, sofrerá uma mudança na edição olímpica de 2028. Nos jogos desde 1912, o esporte deixará de contar com a etapa de equitação, sendo as Olimpíadas de Paris 2024 sua última transmissão nesse formato.
A mudança ocorre depois que uma técnica alemã foi filmada socando um cavalo nos Jogos de Tóquio, em 2021, após ele se recusar a saltar um obstáculo durante a apresentação de uma atleta de sua equipe. Outro caso que chamou a atenção da mídia foi a suspensão da seis vezes medalhista olímpica Charlotte Dujardin – a atleta mais condecorada da Grã-Bretanha – por métodos de treinamento inadequados, nesta terça-feira (23). O anúncio foi feito pela Federação Equestre Internacional (FEI), após imagens de vídeos mostrarem ela chicoteando as patas de um cavalo várias vezes, gerando um debate mais amplo sobre os esportes equestres.
Em 2023, após sete cavalos morrerem no Kentucky Derby, o jornal The New York Times publicou uma reportagem investigativa sobre as mortes de cavalos em competições esportivas. O texto exigia que as pistas de corrida fossem diligentes no manejo da superfície, que os veterinários e o regulador tivessem registro médico melhores e alertou também os treinadores para não forçarem seus cavalos. As recomendações foram feitas pela Autoridade de Integridade e Segurança das Corridas de Cavalo.
No Brasil, a pauta segue em discussão, promovendo debates entre representantes políticos, defensores da causa animal e apoiadores de atividades equinas. Em junho deste ano, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou por unanimidade um projeto de lei que proíbe o uso de animais em corridas desportivas com emissão de bilhetes de apostas em jogos de azar.
De autoria do vereador Xexéu Tripoli (União Brasil), a Lei Municipal regulamenta o fim do uso dos animais para entretenimento humano. Quando questionado, o membro do legislativo faz menção às rinhas de galos e de pitbulls, proibidas nacionalmente. Tripoli reforça que a lei foi anterior à decisão de desapropriação do Jockey Club e que seu objetivo se mantém na proteção animal, sendo autor também da Lei do Zoo (n° 17.321/2020) e da Lei do Rojão (16.897/2018).
No dia da aprovação, o vereador a caracterizou como vitoriosa para a proteção animal e principalmente para os cavalos: “Eu acredito muito que esse esporte já passou. Estamos no século XXI, passou do tempo de a gente usar animais para entretenimento humano e principalmente com apostas. É uma vitória para a proteção animal e principalmente para os cavalos. No Kentucky de Derby (EUA), por exemplo, mais de 12 cavalos foram sacrificados depois de sofrerem fraturas ou lesões. O cavalo não tem opção de correr ou não, ele faz aquilo porque ele é conduzido pelo humano”.
O país sofre com a escassez de informações sobre a quantidade de ocorrências de lesões. Um estudo retrospectivo das ocorrências graves, catastróficas (fatal) e não catastróficas (não fatal) nas corridas de equinos PSI, entre os anos de 1996 e 2006, no hipódromo de Cidade Jardim, do Jockey Club de São Paulo (JCSP), e obtido diretamente nos livros de ocorrências da raia, registrados pela equipe de Médicos Veterinários do Departamento de Assistência Veterinária (DAV), e pela Comissão de Turfe e pelo Departamento de Patologia do JCSP, apontou que durante 11 anos foram registradas 179.978 largadas, com média anual de 16.345 e 482 incidentes graves (43,8/ano).
Fonte: Giovanna Montagner
giovanna@pressfc.com.br














