Parceria com a Petgenoma fortalece a etapa de coleta de painéis que avaliam predisposições a mais de 300 doenças em cães e abre caminho para a medicina veterinária de precisão

A QIAGEN expande sua atuação no segmento veterinário pet no Brasil por meio de uma parceria com a Petgenoma, startup nacional que oferece painéis genéticos para cães e gatos. A companhia fornece a tecnologia utilizada na coleta de células da mucosa bucal, etapa determinante para a obter DNA em quantidade e qualidade adequadas. Segundo a Petgenoma, os resultados podem apoiar rastreamentos, manejo preventivo, farmacogenética e planejamento reprodutivo.

O movimento ocorre em um setor que faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, crescimento de 9,6% em relação a 2023. Desse total, os produtos veterinários responderam por R$ 7,8 bilhões e os serviços veterinários, por R$ 7,7 bilhões, de acordo com os dados mais recentes divulgados pela Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet). Ao conectar uma tecnologia voltada à qualidade da coleta a análises genéticas aplicadas à prática clínica, a parceria sinaliza uma nova frente de inovação em saúde animal no país.

Testes genéticos veterinários apoiam a estratificação de riscos

Os painéis da Petgenoma avaliam mais de 300 riscos genéticos à saúde em cães e mais de 90 em gatos, além de informações farmacogenéticas. Os resultados podem indicar variantes associadas a doenças hereditárias, predisposições multifatoriais e sensibilidades a determinados fármacos. Para o médico-veterinário, esses achados acrescentam uma camada de informação ao histórico, ao exame clínico e aos demais métodos diagnósticos, permitindo planejar avaliações periódicas mais direcionadas.

“O valor clínico não está em transformar predisposição em sentença, mas em estratificar riscos. Um marcador associado a uma cardiopatia ou doença renal, por exemplo, pode justificar uma conversa sobre frequência de acompanhamento e exames complementares, sempre de acordo com a avaliação do médico-veterinário. Na farmacogenética, a identificação de variantes relevantes pode ser considerada no planejamento anestésico e terapêutico. É uma ferramenta para formular perguntas clínicas melhores e tomar decisões mais informadas”, afirma Eduardo Lemos, fundador e CEO da Petgenoma.

Evidências acadêmicas reforçam a necessidade de interpretação contextualizada. A Universidade Cornell observa que muitas condições dependem da interação entre genes, modificadores e ambiente e que a presença de uma variante nem sempre resulta na manifestação da doença. A instituição recomenda discutir os achados com o médico-veterinário antes de qualquer decisão. O teste genético, portanto, não substitui diagnóstico, exame clínico, monitoramento laboratorial ou avaliação por imagem, mas é uma ferramenta que suporta e muitas vezes, direciona as anteriores.

Etapa pré-analítica influencia a confiabilidade do resultado

O fluxo começa com a fricção do dispositivo do coletor, fornecido pela QIAGEN, entre a gengiva e a bochecha do animal para obter células do epitélio bucal. O procedimento pode ser realizado pelo responsável ou em ambiente veterinário, conforme as instruções do kit. Após o retorno ao laboratório da Petgenoma, localizado na Universidade de São Paulo (USP), o DNA é extraído com a tecnologia QIAGEN e submetido às etapas de análise genética e bioinformática. O relatório é disponibilizado em até 15 dias úteis após o recebimento da amostra, segundo a empresa.

“Na genômica, a fase pré-analítica não é um detalhe operacional; ela condiciona o que vem depois. Uma amostra com baixo rendimento, interferentes ou material genético degradado pode comprometer a análise ou exigir uma nova coleta. Por isso trabalhamos com a Petgenoma no protocolo de coleta e na extração do DNA, as duas etapas que antecedem a análise. O coletor vem em tubo seco, o que favorece a recuperação do DNA e ajuda a preservar a amostra no trajeto até o laboratório. Levar essa experiência ao mercado veterinário brasileiro significa aplicar o que a QIAGEN faz em tecnologias de amostra a uma área com demanda crescente por padronização”, explica Arthur Silva, gerente regional de Diagnósticos de Precisão para a América Latina na QIAGEN.

A colaboração também cria uma base operacional para a expansão internacional da Petgenoma. Como os kits precisam chegar ao cliente e, posteriormente, retornar ao laboratório brasileiro, a possibilidade futura de montar e distribuir a etapa de coleta nos próprios mercados atendidos poderá reduzir parte do percurso logístico.

A startup prevê avançar para Colômbia, México e Chile a partir de 2027. Alguns testes na Colômbia já estão em andamento, segundo a empresa, e o lançamento de painéis para equinos está planejado para o segundo semestre de 2027.

Da informação genética à conduta veterinária

Além do atendimento direto ao consumidor, a Petgenoma comercializa os testes para clínicas, hospitais, médicos-veterinários e criadores. A empresa informa estar presente em mais de 120 clínicas no país. No modelo B2B, a genômica pode apoiar protocolos de acompanhamento preventivo, aconselhamento reprodutivo, avaliação de consanguinidade e discussões sobre resposta a medicamentos, desde que os resultados sejam integrados à anamnese e aos demais dados do paciente.

“A adoção responsável depende de educação. O profissional precisa conhecer o alcance e os limites do teste, e o responsável pelo animal precisa compreender que um risco genético não autoriza mudanças de dieta ou medicação sem orientação. Nosso objetivo é contribuir para uma Medicina Veterinária mais preventiva e personalizada, na qual a informação genômica seja um dado clínico adicional, e não uma resposta isolada”, acrescenta Lemos.

A parceria é pioneira para a operação brasileira da QIAGEN e tem potencial para servir de referência a iniciativas semelhantes em outros países. Para a Petgenoma, a atuação global da companhia também poderá contribuir para a estruturação do modelo de distribuição internacional dos kits.

Os testes para cães e gatos já estão disponíveis nacionalmente, tanto para consumidores no e-commerce da Petgenoma quanto por meio da equipe comercial voltada ao mercado profissional.

Sobre a QIAGEN

A QIAGEN é uma multinacional alemã, especialista em tecnologia para diagnósticos moleculares. Com mais de 5.700 colaboradores distribuídos em 25 países, a empresa oferece um portfólio de mais de 500 produtos entre kits consumíveis, instrumentos e bioinformática, que atendem às diversas necessidades globais, desde pesquisas acadêmicas a aplicações de saúde de rotina. Para mais informações, acesse: https://www.qiagen.com/us/

Sobre a Petgenoma

A Petgenoma é uma empresa brasileira de genética e tecnologia dedicada a transformar informações do DNA em conhecimento para apoiar a saúde, o bem-estar e a longevidade dos animais. Com laboratório localizado na Universidade de São Paulo (USP), reúne especialistas em genética, bioinformática, tecnologia e análises laboratoriais e atende responsáveis, médicos-veterinários e criadores em todo o Brasil.

Fonte: ATDC Group

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