A foodtech ‘A Quinta’, que prevê triplicar o faturamento em 2024, anuncia IA gratuita e aberta ao público para acelerar o mercado de alimentação natural no setor pet brasileiro
Tão natural que até humano pode comer. Foi com essa provocação que a foodtech de alimentação natural para pets ‘A Quinta’ chegou ao mercado em 2021. Injetados pela tendência mundial do segmento “Human Grade”, alimentos apropriados para consumo humano, a startup escalou rapidamente no Brasil. Registrando um crescimento de mais de 10% ao mês em modo bootstrapping no último ano, deve superar R$ 5 milhões de faturamento até dezembro, dos atuais R$ 2,1 milhões, com previsão de um salto ainda mais ousado no próximo ano: R$ 25 milhões.
Para isso, dá início a um plano robusto de expansão com uma pivotagem na atuação, que agora vai contemplar também serviços, além dos produtos. Nesta semana, lança oficialmente a Maria, uma assistente virtual gratuita, que vai orientar tutores a inserir ingredientes naturais na dieta, mesmo que de forma gradativa na ração seca. O objetivo, segundo o CEO Tiago Tresca, é ajudar os tutores a entenderem quais ingredientes podem melhorar a qualidade nutricional do pet, além do passo a passo de como se dá essa transição alimentar.
A meta de expansão ainda perpassa pelo incremento do portfólio, o escalonamento da distribuição para fora de São Paulo, o que antes acontecia apenas organicamente. Um novo posicionamento de marca, incluindo aperfeiçoamento das embalagens e nova comunicação ao público, também fazem parte da estratégia de negócio. Segundo o executivo, o novo slogan ‘Você é o que o seu cachorro come’, foi pensado como uma provocação aos tutores: “se os benefícios da dieta natural se comparados ao da industrializada já são comprovados para os humanos, por qual motivo o tutor não oferece para quem ele chama de filho?”, questiona.
Disponível gratuitamente ao público, mesmo para não consumidores da marca, a assistente também poderá auxiliar em queixas diversas, tais como problemas de pele ou da flora intestinal, para citar alguns exemplos. “Será possível descrever os sintomas para a Maria que, ao cruzar dados como de raça, porte e idade, entre outros coletados, poderá recomendar a introdução de 200g de iogurte natural, 3 gotas de própolis sem álcool e meia cenoura na ração seca. Pequenas incrementações na dieta já são capazes de mudar um quadro de déficit nutricional”, explica. O suporte não configura consulta. Para casos complexos, será recomendada a visita ao veterinário.
O tabu do investimento em uma dieta natural
O porta-voz destaca que um dos tabus em torno da transição dos industrializados para os naturais é o preço. “A primeira proposta de valor da Maria é indicar caminhos, demonstrando que é possível a incorporação de ingredientes naturais, independentemente da classe social”, enfatiza.
A assistente virtual estará disponível full time pelo aplicativo de mensagem (WhatsApp). O desenvolvimento da tecnologia reuniu um time de veterinários e especialistas em nutrição de ‘A Quinta’. Participou também a Kuke, uma startup tech brasileira, que ficou responsável pelas interações tecnológicas.
O primeiro ponto de contato com os consumidores será por meio da compra em petshops. Lojas como das pertencentes à rede Pet Fun, que possui mais de 25 unidades no Rio de Janeiro, já recebem a Maria a partir dos próximos dias. A previsão é chegar em 400 petshops para impactar cerca de 40 mil usuários até dezembro. A busca por capital é citada pelos sócios como estratégia para acelerar esse volume em 2025.
De outubro até dezembro desse ano, a tecnologia vai atuar via texto em duas fases. A primeira com informações sobre os benefícios da dieta natural e com o passo a passo para a transição alimentar. Já a segunda, com o suporte nutricional para as demandas específicas dos consumidores. Em 2025, amplifica sua interação possibilitando fotos e vídeos para um suporte mais abrangente, a exemplo da leitura da dentição canina para a aferição de tártaro. “Maria vai evoluindo ao longo do tempo para abraçar outras necessidades dos consumidores, com funcionalidades extras”, destaca Tresca.
A Sacada
Nascida na pandemia, ‘A Quinta’ teve uma trajetória atípica. Em 2020, levantou uma rodada pré-operacional, sendo avaliada em R$2,5 milhões, o que possibilitou seu lançamento no mercado em 2021. No ano seguinte, conhecido como o ‘inverno das startups’, em uma tentativa de levantar sua seed round, a startup falhou. Em contrapartida, considerando o aquecimento do setor de Pet Food no Brasil naquele período, o caminho era ‘seguir ou seguir’ e bancar o negócio. Dessa forma, entrou no mercado em formato bootstrapping.
A sacada para serem percebidos foi resolver um problema: ineficiência logística. “Quando estudamos o mercado, vimos muitas empresas copiando o formato congelado dos Estados Unidos. O Brasil não estava, e continua não estando pronto, para esse modelo. Petshops não querem receber congelados, pois isso exige que cada loja tenha um refrigerador para preservar a conservação. Uma vez congelados, mais custos de refrigeração, o que encarece o produto para o consumidor final. Ali, estava nossa oportunidade”, conta Tiago.
Uma nova tecnologia de envasamento, desenvolvida pela startup, permitiu que os produtos chegassem prontos para o consumo sem necessidade de refrigeração, rompendo um entrave para o setor e tornando os produtos mais acessíveis em termos de investimento e praticidade. Segundo o executivo, a tecnologia vem atraindo a atenção de empresas do mercado externo, que já se questionam em tirar o congelado.
Em mais de 500 pontos de venda e com 1.500 planos de assinaturas mensais previstos até o final do ano, ‘A Quinta’ pratica assinatura mensal a partir de R$ 95 e a venda de unidades em lojas físicas e em e-commerce a partir de R$ 24,50 (o pacote de 300g vendido avulso). ‘Risoto suíno com abóbora’, “Menu das Estações’ (com ingredientes da época) e ‘Picadinho de frango com cúrcuma’, são algumas das dietas oferecidas, incluindo aquelas para pets com necessidades especiais, a exemplo de cães com restrições alimentares ou portadores de doenças. Os ingredientes são comprados principalmente de pequenos produtores que vivem no entorno da fábrica, que funciona no interior de São Paulo.
Quem são eles: Tiago Tresca (CEO, 33 anos), nascido em São Paulo e criado em Portugal, veio de férias ao Brasil e decidiu ficar. Aos 30 anos, já respondia como cofundador de uma software house, que fornecia o serviço de tech founder para startups early stage pelo mundo (outdarelab), e pela criação de um grupo de sete restaurantes de alimentação natural – o Natural Crave. Ambos, vendidos para investidores estrangeiros. Também desenvolveu a marca de snacks naturais ‘IncriBel!’, que opera nas principais redes de Portugal e se prepara para a internacionalização. No Brasil, uniu-se ao meio-irmão e administrador de empresas, Diego Tresca (COO, 46 anos), que traçava até então uma carreira corporativa em uma grande empresa do mercado de corridas. Junto a eles, estão Fernanda Lenzi, Tina Tresca, Fernando Martins e Pedro Simão, sócios minoritários responsáveis pela fidelização de clientes, vendas, distribuição e tecnologia, além de um time de colaboradores para demais áreas do negócio, incluindo veterinários e nutricionistas.
Fonte: Taiane Luz
taiane.luz@upperpr.com.br














