Dra. Mariana Silva*

Anualmente, o mês de outubro se tinge de rosa para lembrar a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce e do cuidado com a saúde das mulheres. Contudo, essa onda de conscientização ultrapassou as barreiras da medicina humana e encontrou um eco necessário no universo pet. O câncer de mama não é uma exclusividade dos seres humanos; ele também afeta os animais de companhia, especialmente as cadelas em idade avançada e não castradas.

Segundo dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e estudos consolidados em oncologia veterinária, os tumores mamários representam cerca de 25% dos casos oncológicos em animais, número que salta para impressionantes 45% quando analisamos especificamente fêmeas caninas idosas que não passaram pela castração. Estamos diante de uma patologia agressiva e de avanço rápido, cujas origens combinam fatores genéticos, predisposição hormonal e até desequilíbrios nutricionais.

Uma das maiores complexidades do câncer de mama em pets é o seu caráter silencioso nas fases iniciais. No entanto, o responsável ocupa um papel fundamental na linha de frente da detecção, por exemplo, em momentos rotineiros de afeto, como brincar, escovar o pelo ou fazer carinho na barriga do animal, são oportunidades preciosas para notar alterações. O surgimento de pequenos nódulos ou caroços nas mamas, vermelhidão, inchaço ou presença de secreção são sinais claros de que o pet precisa de avaliação profissional imediata.

Infelizmente, dados do CFMV apontam que cerca de 20% dos diagnósticos ainda ocorrem de maneira tardia, o que limita as opções terapêuticas e reduz as chances de cura. O check-up veterinário periódico é a ferramenta mais eficaz para identificar essa e outras enfermidades antes que apresentem sintomas severos.

Se a detecção precoce é essencial, a prevenção é o caminho mais seguro. A literatura científica e a prática clínica são unânimes: a castração precoce é a forma mais eficaz de proteger as cadelas contra o desenvolvimento de tumores mamários. Quando realizada no primeiro ano de vida, idealmente entre o primeiro e o segundo cio, a castração reduz em até 90% o risco de a cadela desenvolver câncer de mama ao longo da vida. Além do benefício contra neoplasias mamárias, o procedimento cirúrgico previne outras patologias graves, como a piometra (infecção uterina severa), e, no caso dos machos, reduz significativamente a incidência de câncer de próstata e tumores testiculares.

Ainda observamos, com certa frequência, a resistência de alguns responsáveis em castrar seus animais por receio do processo cirúrgico ou por sentimento de penalização. É preciso transformar essa visão: a castração é, em sua essência, um ato de responsabilidade, cuidado e amor de longo prazo.

O avanço da medicina veterinária garante que a castração seja um procedimento rotineiro e seguro. Contudo, por se tratar de uma intervenção cirúrgica, o controle do pós-operatório é determinante para a recuperação plena do animal. Garantir um protocolo adequado de manejo da dor e da inflamação é indispensável para proporcionar conforto e tranquilidade ao pet durante a cicatrização. Com soluções modernas e eficazes, como anti-inflamatórios desenvolvidos especificamente para a anatomia e necessidade dos cães, o tutor pode ter a certeza de que a recuperação do seu animal será sem sofrimento e com rápido retorno à rotina da família.

Neste Outubro Rosa, o convite é para que todos os responsáveis estendam essa corrente de conscientização para o ambiente doméstico, mantenham as consultas com o médico-veterinário em dia e converse com o profissional sobre a castração no tempo adequado. A prevenção continua sendo a melhor demonstração de afeto e o caminho mais seguro para garantir mais anos de vida com saúde e alegria ao lado de quem tanto amamos.

*Dra. Mariana Silva, médica-veterinária e consultora técnica da Boehringer Ingelheim Saúde Animal

Fonte: ideal-axicom

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