Com o avanço dos alimentos premium e funcionais, indústria amplia investimentos em tecnologias capazes de preservar os benefícios dos ingredientes até o momento do consumo

O mercado pet brasileiro vive um momento de forte evolução. Apenas em 2024, o segmento movimentou R$ 75,4 bilhões, sendo que os alimentos industrializados responderam por R$ 40,8 bilhões, mais da metade de todo o faturamento do setor. Ao mesmo tempo em que os tutores buscam produtos cada vez mais completos, seguros e voltados à saúde dos animais, cresce também o desafio da indústria em garantir que os benefícios prometidos no rótulo sejam efetivamente entregues aos cães e gatos.

Especialistas chamam atenção para um aspecto que costuma passar despercebido fora das fábricas: a qualidade de um ingrediente, por si só, não garante sua eficácia. Cada vez mais, o desempenho de vitaminas, antioxidantes e outros ingredientes funcionais depende da forma como são processados, protegidos e aplicados durante a fabricação dos alimentos.

“Durante muitos anos, a inovação esteve concentrada na descoberta de novos ingredientes. Hoje, ela também acontece na forma como esses ingredientes são preservados ao longo do processamento industrial. O desafio já não é apenas formular um alimento com ingredientes de alta qualidade, mas garantir que eles mantenham suas propriedades até chegarem ao pote do animal”, explica Marcelino Bortolo, zootecnista e diretor de P&D da Kemin.

Na prática, isso significa que dois alimentos podem conter o mesmo ingrediente funcional na formulação e, ainda assim, apresentar desempenhos diferentes em função das condições de fabricação. Temperatura, umidade, tempo de processamento e o momento da aplicação podem influenciar diretamente a estabilidade e a atividade desses compostos.

Um exemplo são algumas vitaminas sensíveis ao calor. Durante a extrusão, etapa em que a mistura é submetida a altas temperaturas e pressão para formar os grãos do alimento seco, parte desses nutrientes pode sofrer degradação caso não sejam adotadas estratégias adequadas de formulação e aplicação.

O mesmo princípio vale para os antioxidantes. Sua função é proteger as gorduras contra a oxidação, contribuindo para preservar a qualidade nutricional, sensorial e a estabilidade do alimento durante todo o período de armazenamento. No entanto, para que cumpram esse papel, fatores como dosagem, distribuição homogênea e momento de aplicação são determinantes.

Outro aspecto importante é a uniformidade da formulação. Quando um ingrediente funcional não é distribuído adequadamente, diferentes grãos do alimento podem apresentar concentrações distintas daquele composto, comprometendo a consistência nutricional do produto.

Segundo o especialista, esses desafios fizeram com que a ciência do processamento ganhasse protagonismo na indústria pet food. “Hoje, desenvolver um alimento envolve muito mais do que selecionar bons ingredientes. É preciso entender como eles interagem entre si, como respondem às diferentes etapas do processo industrial e quais tecnologias permitem preservar sua estabilidade ao longo de toda a vida útil do produto.”

Esse trabalho reúne profissionais de diferentes áreas, como medicina veterinária, nutrição animal, engenharia de alimentos, microbiologia e tecnologia de processos. O objetivo é garantir que cada ingrediente mantenha seu desempenho desde a fabricação até o consumo pelo animal.

Nos últimos anos, a indústria também passou a investir em sistemas de dosagem mais precisos, controle rigoroso de temperatura, tempo e umidade e no desenvolvimento de ingredientes mais resistentes às condições de processamento. Essas tecnologias contribuem para aumentar a estabilidade dos compostos e reduzir perdas ao longo da fabricação.

Na Kemin, esse conceito faz parte do desenvolvimento das soluções para a indústria pet food. Além da eficácia dos ingredientes em condições controladas, a empresa avalia seu comportamento durante as diferentes etapas do processamento industrial, buscando preservar sua funcionalidade e favorecer um desempenho consistente no alimento final.

Para o especialista, essa mudança representa uma das principais evoluções da nutrição animal nos últimos anos. “Escolher um bom ingrediente é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio é garantir que ele atravesse todas as etapas da produção preservando suas propriedades e chegue ao alimento final exatamente da forma como foi desenvolvido. Hoje, a qualidade de um alimento pet é definida pela combinação entre ciência dos ingredientes e tecnologia de processamento.”

Fonte: Alfapress Comunicações

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