Decisão sobre a idade deve ser individualizada; veterinária explica também os cuidados com a alimentação após a cirurgia

Durante o Outubro Rosa, o câncer de mama também entra na pauta da saúde dos animais. Em gatas, a castração está entre os principais cuidados que podem ajudar a reduzir o risco da doença. Estudos apontam que entre 85% e 95% dos tumores mamários diagnosticados nessa espécie são malignos. E não é só o procedimento que importa: a idade em que ele é feito, o acompanhamento veterinário e a alimentação após a cirurgia também merecem atenção.

A relação entre a castração e o risco de tumores mamários vem sendo estudada há décadas. Um estudo publicado em 2005 no Journal of Veterinary Internal Medicine, que avaliou 404 gatas, encontrou redução de 91% no risco de carcinoma mamário entre as que foram castradas antes dos 6 meses de idade e de 86% entre as castradas antes de 1 ano, em comparação com gatas não castradas.

Embora esses resultados indiquem uma associação importante entre a castração precoce e a redução do risco, pesquisas mais recentes recomendam cautela na definição de uma idade ideal. Uma revisão publicada em 2025 identificou limitações nas evidências disponíveis, reforçando que ainda não é possível estabelecer uma idade universalmente indicada para o procedimento com base apenas na prevenção dos tumores mamários.

Segundo a médica-veterinária Mayara Andrade, de Biofresh, marca Super Premium Natural da MBRF Pet, a redução da exposição hormonal após a castração ajuda a explicar esse resultado. Isso porque hormônios como o estrogênio e a progesterona participam do desenvolvimento e da proliferação do tecido mamário, e a exposição acumulada a esses estímulos pode contribuir para o surgimento de alterações celulares.

“A castração reduz a exposição aos hormônios ovarianos, que estão envolvidos no desenvolvimento do tecido mamário. Estudos indicam que o procedimento pode diminuir significativamente o risco de tumores mamários, especialmente quando realizado precocemente. Contudo, a decisão sobre o melhor momento deve ser individualizada, considerando a saúde e o desenvolvimento de cada gata”, explica.

O que muda no potinho depois da castração

Se a idade da castração é um ponto de atenção, os cuidados depois do procedimento também merecem espaço. Muitos responsáveis associam a castração ao risco de ganho de peso, já que a cirurgia pode reduzir a necessidade energética do animal. Segundo Mayara, é possível manter o peso adequado após o procedimento com ajustes na alimentação e na rotina.

“Com a castração, ocorre uma redução dos hormônios sexuais, o que pode diminuir a necessidade energética do animal e alterar os mecanismos hormonais que regulam o apetite. Na prática, isso significa que o pet pode precisar de menos calorias para manter o peso, mas, ao mesmo tempo, apresentar maior interesse pela comida e consumir mais alimento”, explica.

Por isso, a quantidade de alimento oferecida e o nível de atividade física passam a ter um papel importante no controle do peso. “Se a alimentação permanece igual, há um desequilíbrio: o animal consome mais energia do que precisa e, com baixa atividade física, gasta menos energia também. Isso leva ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura por excesso de calorias, chamado de balanço energético positivo”, completa.

Para ajudar a evitar o ganho de peso, a veterinária recomenda adequar a alimentação às novas necessidades do animal e manter uma rotina ativa. “Com uma alimentação saudável, adequada e equilibrada, além de ajustes na rotina de atividade física, é possível manter o peso ideal e contribuir para a saúde e a qualidade de vida do animal”, orienta.

Mayara reforça que existem alimentos formulados especificamente para as necessidades nutricionais e energéticas dos gatos castrados. Essas opções podem apresentar menor densidade energética e composição ajustada, com nutrientes que auxiliam no controle do peso e na manutenção da massa muscular. A escolha deve considerar características individuais, como idade, peso, condição corporal e nível de atividade.

“Alguns alimentos para gatos castrados também apresentam características nutricionais voltadas à saúde urinária. Mas é importante avaliar a formulação e as necessidades individuais do animal, além de estimular o consumo de água”, complementa.

A manutenção do peso adequado também faz parte dos cuidados com a saúde das gatas. A obesidade está associada a alterações metabólicas e pode aumentar o risco de diferentes problemas de saúde. Embora o controle do peso não possa ser apresentado como uma medida específica de prevenção do câncer mamário, ele é fundamental para a saúde geral do animal. Por isso, acompanhar o peso e a condição corporal deve fazer parte da rotina. A escolha do alimento em cada fase da vida deve ser definida em conjunto com o médico-veterinário, que pode avaliar as necessidades específicas de cada gata.

Além da castração

A castração pode reduzir o risco de tumores mamários, mas não elimina completamente a possibilidade do desenvolvimento da doença. Por isso, o acompanhamento veterinário continua importante ao longo de de toda a vida, inclusive para gatas que já passaram pelo procedimento.

Manter o peso adequado, oferecer uma alimentação de qualidade, estimular a atividade física e realizar consultas regulares também são medidas importantes para acompanhar a saúde do animal.

“Manter o peso ideal, oferecer uma alimentação de qualidade, atividade física e realizar consultas regulares com o médico-veterinário, garantindo, também, uma rotina de check-ups, são atitudes essenciais para promover longevidade e bem-estar dos pets”, reforça a médica-veterinária.

Os responsáveis também devem observar as mamas das gatas e procurar o veterinário ao perceber nódulos, caroços ou qualquer alteração na região. Mesmo lesões pequenas precisam ser investigadas, já que a identificação precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento. O aparecimento de um nódulo não significa necessariamente câncer, mas somente a avaliação veterinária, com exame físicco e exames mais específicos, se necessário, poderá esclarecer sua natureza.

“Mesmo com os avanços da medicina veterinária, o câncer de mama pode não ter cura ou migrar para outros órgãos, o que chamamos de metástase. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo os maiores aliados dos pets na luta contra essa doença”, finaliza Mayara.

Fonte: Buzzing

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui