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Crescimento da demanda nas empresas impulsiona debate sobre novos modelos de precificação e gestão no setor de saúde animal

A oferta de plano de saúde para animais de estimação como benefício corporativo tem ganhado espaço nas empresas brasileiras. A iniciativa acompanha uma mudança na forma como organizações encaram o bem-estar no ambiente de trabalho, ampliando o olhar para além das necessidades tradicionais e considerando também o impacto emocional dos pets na vida dos colaboradores.

Para Raphael Climaco, médico-veterinário e especialista em saúde e bem-estar animal, o movimento reflete uma transformação cultural nas empresas. “Por muito tempo, os benefícios corporativos foram pensados apenas para as necessidades básicas. Hoje, entendemos que cuidar do emocional e do que é afetivo também faz parte do bem-estar. E os pets têm um papel enorme nisso”, afirma.

Segundo ele, ao oferecer assistência à saúde animal, as empresas também contribuem diretamente para a tranquilidade dos funcionários. “Cuidar dos animais é também cuidar das pessoas. É uma forma de gerar segurança para o colaborador, sabendo que seus melhores amigos estão protegidos”, diz.

A tendência ocorre em paralelo à expansão do mercado pet no Brasil, impulsionado pela chamada humanização dos animais de estimação e pela busca crescente por previsibilidade nos gastos com saúde veterinária. Nesse contexto, modelos de precificação também passam a ser discutidos.

Em um setor no qual é comum que mensalidades aumentem conforme o pet envelhece — podendo ficar até 150% mais caras para cães idosos ou de grande porte — uma operadora brasileira tem adotado um formato diferente: valor fixo ao longo da vida do animal, independentemente de idade ou porte, e sem cobrança de coparticipação por utilização.

Fundada em 2013 a partir da experiência clínica de Raphael Climaco, a empresa surgiu da percepção de que o atendimento veterinário poderia alcançar mais famílias por meio de um modelo estruturado e escalável. “Existe uma lacuna entre o cuidado clínico e a gestão empresarial no setor veterinário. Muitos profissionais são altamente capacitados tecnicamente, mas não tiveram formação para estruturar negócios sustentáveis”, afirma.

A companhia transferiu sua sede para Belo Horizonte em 2020, passou por um processo de digitalização integral da operação em 2022 e, no ano seguinte, realizou abertura de capital na Bee4. Em 2025, registrou crescimento de 66%, alcançando R$ 68 milhões em faturamento e uma base de 56 mil animais atendidos.

De acordo com Climaco, a proposta do modelo de mensalidade fixa é oferecer previsibilidade financeira aos tutores, diluindo riscos a partir de uma base ampla e recorrente de clientes. “Empresas que crescem de forma consistente precisam unir visão de longo prazo e disciplina financeira”, afirma.

Para ele, a profissionalização da gestão ainda é um dos principais desafios do setor veterinário. “O veterinário foi treinado para cuidar de vidas, não necessariamente para administrar empresas. Sem método e indicadores claros, o crescimento depende muito mais de circunstâncias do que de estratégia”, avalia.

Com a adesão crescente de empresas interessadas em incluir o plano pet como benefício corporativo, o setor passa por um momento de amadurecimento. Ao mesmo tempo em que reforça o vínculo entre empregador e colaborador, a iniciativa amplia o debate sobre sustentabilidade financeira, gestão e novos formatos de precificação na saúde animal.

Fonte: Matheus Damaso

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