Pesquisa com mais de 10 mil cães identifica alterações associadas à disfunção cognitiva; especialista alerta que sinais sutis não devem ser tratados automaticamente como consequência natural da idade

Dormir mais durante o dia, ficar menos ativo, esquecer comportamentos que antes faziam parte da rotina ou demonstrar ansiedade quando fica sozinho podem parecer consequências naturais do envelhecimento. Em cães idosos, porém, algumas dessas mudanças também podem estar associadas ao declínio cognitivo e merecem avaliação veterinária.

Um estudo do Dog Aging Project, publicado em 2026, analisou dados de mais de 10 mil cães com mais de oito anos e identificou diferenças comportamentais entre animais sem sinais de alteração cognitiva e aqueles considerados em risco ou com sinais de disfunção cognitiva canina. Entre as mudanças observadas estavam aumento do sono durante o dia, menor atividade física, redução de comportamentos previamente aprendidos, maior ansiedade de separação, alterações de apetite e respostas diferentes diante de situações novas.

A disfunção cognitiva canina é uma condição neurodegenerativa relacionada ao envelhecimento e pode provocar alterações progressivas no comportamento e na forma como o animal responde ao ambiente. O desafio é que, principalmente no início, os sinais podem ser discretos e facilmente confundidos com aquilo que o tutor considera apenas “coisa da idade”.

“Existe uma tendência natural de aceitar determinadas mudanças porque o cão está envelhecendo. Ele passa a dormir mais, interage menos ou parece esquecer alguns hábitos e a família entende aquilo como esperado. Nem sempre é. Quando existe uma mudança perceptível em relação ao comportamento que aquele animal sempre teve, vale investigar”, afirma Alan Mora, Sócio-Diretor Nacional do Grupo +Pet.

Segundo o especialista, um episódio isolado não permite concluir que o cão esteja desenvolvendo uma alteração cognitiva. O mais importante é perceber mudanças persistentes ou a combinação de diferentes sinais.

“Não é porque um cão dormiu mais durante alguns dias que ele tem disfunção cognitiva. O alerta aparece quando existe alteração de padrão: um animal que sempre dormiu à noite começa a ficar inquieto nesse período, passa boa parte do dia dormindo, deixa de responder a comandos conhecidos, parece desorientado em um ambiente familiar ou muda de comportamento com pessoas da própria casa”, explica.

O que o tutor deve observar

Além das alterações de sono, redução de atividade e ansiedade de separação apontadas pelo estudo do Dog Aging Project, sinais como desorientação, dificuldade para reconhecer rotinas, mudanças na interação social e perda de comportamentos aprendidos também podem fazer parte da investigação de declínio cognitivo.

Outro estudo, publicado em fevereiro de 2026 na Frontiers in Aging Neuroscience, analisou o comportamento cotidiano de cães com oito anos ou mais e encontrou relação entre desempenho em testes cognitivos e aspectos como memória, motivação, mobilidade e capacidade sensorial.

A pesquisa chama atenção para um ponto importante: alterações associadas ao envelhecimento podem ter diferentes origens. Dor, limitações de mobilidade e perda de visão ou audição, por exemplo, também podem mudar profundamente o comportamento de um cão idoso.

“Um cão que deixa de subir no sofá pode estar apresentando uma alteração cognitiva, mas também pode estar com dor. Um animal que deixa de responder quando é chamado pode ter perda auditiva. É por isso que não se deve olhar um comportamento isoladamente. O exame clínico permite investigar o conjunto e descartar outras condições que podem produzir sinais semelhantes”, observa o especialista.

Essa diferenciação ganha importância porque algumas doenças que aparecem com maior frequência à medida que os animais envelhecem podem evoluir de maneira silenciosa. Mudanças aparentemente pequenas na rotina podem ser um dos primeiros sinais percebidos pela família.

Envelhecer não significa apenas tratar doenças

Para Alan Mora, o aumento da longevidade dos animais também muda a forma como tutores e veterinários precisam encarar o cuidado.

“Em um cão idoso, acompanhamento não deveria acontecer somente quando surge uma emergência. O objetivo é conhecer aquele animal ao longo do tempo, observar alterações em relação ao padrão dele e conseguir investigar cedo quando alguma coisa muda”, destaca.

A periodicidade das avaliações deve ser definida individualmente pelo médico-veterinário, considerando idade, porte, histórico clínico e doenças já existentes. Dependendo do caso, exames laboratoriais, avaliações neurológicas e investigação de dor, visão e audição podem fazer parte da abordagem.

“Quanto mais cedo conseguimos entender a origem de uma mudança, maior é a possibilidade de cuidar da qualidade de vida daquele animal. E, no envelhecimento, qualidade de vida passa justamente por não normalizar tudo como velhice”, conclui o especialista.

Sobre a +Pet

A +Pet é uma rede integrada de saúde animal que reúne planos de saúde, hospitais veterinários, clínicas satélites, telemedicina e serviços digitais em uma mesma jornada de cuidado. A estrutura permite que cães e gatos tenham acesso, dentro da própria rede, a consultas, exames, especialidades, atendimentos de urgência e acompanhamento contínuo, reduzindo a necessidade de o tutor buscar diferentes prestadores para cada etapa do tratamento.

Fonte: accrux

Alan Mora, Sócio-Diretor Nacional do Grupo +Pet

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