O tipo de cão mais presente nas casas brasileiras também é o que mais aparece nas ruas. O Dia Mundial do Cachorro, em 26 de agosto, é uma agenda internacional de luta contra o abandono, sobretudo, dos animais Sem Raça Definida
Em 26 de agosto é celebrado o Dia Mundial do Cachorro. A data nasceu, em 2004, por iniciativa da treinadora e ativista Colleen Paige e foi escolhida porque neste exato dia ela adotou seu primeiro cachorro de um abrigo, quando tinha apenas 10 anos de idade.O objetivo da celebração, desde então, é reforçar a adoção responsável e chamar atenção para o combate ao abandono e aos maus-tratos.
O Brasil tem cerca de 62,5 milhões de cães, segundo a Abinpet. Desse total, uma parte não tem raça definida. De acordo com pesquisa do Instituto Quaest, realizada em 2024, cerca de 32% dos cães com tutor no país são vira-latas, o tipo mais comum entre os brasileiros. Entre os cães de raça, o ranking mais recente da Confederação Brasileira de Cinofilia aponta o spitz alemão-anão, também chamado de lulu-da-pomerânia, como o mais popular, seguido pelo rottweiler e pelo golden retriever. Os cães e gatos Sem Raça Definida (SRD) possuem uma data de homenagem específica, em 31 de julho, considerado o Dia do Vira-latas, mas voltam a ser lembrados com destaque no Dia Internacional do Cachorro, já que eles somam boa parte da população de animais abandonados, considerando que o combate ao abandono é uma das propostas da agenda.
De onde vem tanta mistura
Sem controle reprodutivo, cães de diferentes origens procriaram-se pelas ruas brasileiras ao longo de séculos. Um estudo de DNA que analisou 305 cães vira-lata de todas as regiões do país encontrou influência de 296 raças diferentes na composição genética desses animais. As mais frequentes foram pastor-alemão, presente em 19,9% dos cães, seguido por american pit bull terrier, pequinês, spitz alemão e galgo espanhol.
A cor caramelo aparece em até 90% dos cães analisados, resultado de genes de pelagem que tendem a ser dominantes. Basta uma cópia herdada de um dos pais para o filhote nascer com essa coloração. O mesmo levantamento mostrou que apenas 21% dos cães analisados apresentaram alguma variante genética associada a doenças hereditárias, a maioria deles apenas portadores, sem risco real de desenvolver a condição.
Para Haltiane Alves, médica-veterinária responsável técnica da Pet de TODOS, essa mistura genética tem efeito na saúde do cão. “Uma genética variada reduz a chance de o animal herdar duas cópias do mesmo gene alterado, o que é mais comum em raças puras. Isso não elimina o risco de doenças, mas costuma jogar a favor do vira-lata”, explica.
Por que o cão vira companheiro
O vínculo entre humanos e cães vem de milhares de anos de convívio, desde quando os primeiros lobos se aproximaram de acampamentos humanos em busca de comida. Pesquisas relacionam esse vínculo à liberação de ocitocina em ambas as espécies durante o contato visual, mecanismo semelhante ao observado entre mães e filhos.
O cão desenvolveu, ao longo da domesticação, uma capacidade de leitura do comportamento humano que outros animais não têm, segundo Haltiane. “Ele busca contato visual, reage ao tom de voz, percebe o estado emocional do tutor. Isso cria uma relação que vai além da convivência”, afirma a veterinária.
O vínculo entre tutor e cão, na visão de Haltiane, também não depende da origem do animal. “Um cão de raça e um vira-lata têm o mesmo potencial de apego com quem cuida deles. O que determina isso é a convivência, não o pedigree”, completa.
Mais comum, mais abandonado
O vira-lata segue sendo o tipo de cão mais abandonado no Brasil. O Instituto Pet Brasil estima que 4,8 milhões de cães e gatos vivem em situação de vulnerabilidade no país. Desse total, cerca de 201 mil animais estão sob cuidado de ONGs formalizadas de proteção animal. A maior parte, portanto, permanece nas ruas sem assistência.
Sem vacinação e sem controle populacional, cães em situação de rua funcionam como principal reservatório doméstico da leishmaniose visceral, doença que vem se expandindo no país e pode ser fatal em humanos sem tratamento. A vacinação em massa segue também sendo usada no controle da raiva, responsável por apenas um caso humano no Brasil em 2015, depois de décadas de campanhas de imunização.
A facilidade de acesso ao vira-lata é, segundo Haltiane, um dos fatores por trás do abandono. “Por ser mais fácil de acessar, muitas vezes sem custo, o vira-lata acaba sendo adotado por impulso, sem o mesmo planejamento dedicado à compra de um cão de raça. Isso costuma refletir depois, com menos atenção à vacinação e à castração”, diz.
“O cuidado de verdade aparece na vacina em dia, na castração e na visita ao veterinário, seja qual for a raça do cão”, diz Haltiane. Para ela, o Dia Mundial do Cachorro é um lembrete de que o afeto pelo vira-lata precisa virar cuidado prático.
Ter um veterinário de confiança por perto, ou fazer parte de um plano de saúde pet, facilita a rotina de cuidados que qualquer cão precisa, segundo Haltiane. “Consulta de rotina, vacina e exames não deveriam depender de um imprevisto para acontecer. Acesso fácil ao atendimento veterinário é o que garante cuidado constante, e não só nos momentos de emergência”, afirma a veterinária.
Sobre o Pet de TODOS
O Pet de TODOS é um plano de saúde para cães e gatos com rede de clínicas próprias em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Paraíba. A empresa oferece consultas veterinárias, vacinação, banho e tosa, exames e procedimentos cirúrgicos a preços acessíveis, com planos a partir de R$ 29,90 por mês. A rede conta com cobertura nacional para consultas emergenciais, exames, cirurgias e internações, atendendo tutores em todas as regiões do país. Responsável técnica: Haltiane Alves (CRMV-SP 79491).
Fonte: Gotcha














